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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

Mudanças

Sofia
14
Jan26

2026 traz mudanças e foi com alguma tristeza que li a notícia do fecho do Sapo Blogs. Há uns bons anos atrás passei imenso tempo por aqui. Depois, afastei-me e, em 2020, lá decidi regressar. Este blog foi um sobrevivente que resistiu a todos os meus impulsos de o apagar. Trouxe-me bons momentos de introspecção e de partilha com outros. Conheci aqui neste canto da internet pessoas fantásticas! Considerava-o um canto especial onde as pessoas paravam a correria e olhavam para si e para os outros - coisa tão rara nos dias que correm. Desta vez, não quero apagar o blog como tanto fiz no passado. Talvez guarde alguns textos que só aqui escrevi, nos quais partilhava os meus dias e pensamentos.

 

De futuro, talvez seja esta a minha nova morada de escrita, onde, aproveitando a mudança, espero censurar-me menos na partilha do que escrevo:

https://sofia-aworldinagrainofsand.tumblr.com/

 

Até já :)

Fragmento

Sofia
11
Jan26

Sei que te vi num fragmento de luz.
Estava a chover e eu, de cabeça baixa,
seguia o meu caminho por entre poças.
Aquele ponto de luz reluziu na água
e o meu olhar levantou-se para o céu.
Não estava só, não estavas só, e teimo,
como sempre teimei, em comparar-me
aos astros. Porque somos todos pó e luz.

 

Ana Sofia Alves
11 de Janeiro de 2026

Estática

Sofia
29
Nov25

Gostava que as minhas mãos fossem luz e as minhas palavras respirassem no teu ventre
Gostava que o universo que sou não estivesse preso à carne e ao sangue que me dão corpo
Fossem as asas reais, seria pó que viaja longe
Fosse eu pó, o meu corpo era uma praia e deitar-te-ias sobre ele
para que a areia te abraçasse enquanto as ondas te afagavam os pés já cheios de calor
Choro universos reclusos do tempo
Choro os corpos que se desgastam
Choro as chamas que procuram a destruição
E choro acima de tudo um coração pequeno que suporta o peso da vida
Hoje as lágrimas são momentos de estática por detrás da sinfonia da vida
A mesma frequência, a mesma insistência
Ao longe, há sempre um ruído que não cessa
A minha voz perde-se algures no corpo
Serei eu ruído também?

Ana Sofia Alves

28 de Novembro de 2025