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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

Esta é a história / em que os ossos estalam

Sofia
08
Fev22

Esta é a história
em que os ossos estalam
e se estilhaçam no ar
como aves no céu
rumo à liberdade.

Haverá apenas esta história
como recordação
dos anos e meses e dias.
Haverá apenas esta história
por baixo do colchão,
uma única história
que me levará para o caixão.

Só há sonhos onde há músculos
e as flores só desabrocham se chover.

Há uma única história
que se perpetua no tempo
e faz esquecer o que passou.

Ana Sofia Alves
8 de Fevereiro de 2022

Há vazios onde as ondas do mar acabam

Sofia
05
Fev22

Há vazios onde as ondas do mar acabam
e onde os nossos desejos começam.
No horizonte, uma luz vai desaparecendo
e o vazio espalha-se pela noite fora.
As ondas do mar acabam nos nossos pés
que se afundam em lençóis brancos.
Há desejos que começam nos nossos pés despidos
que com as suas solas acariciam as noites escuras.
Há marinheiros que caminham pelo firmamento
e guardam em si os sonhos de uma vida.
Há outros corpos que se afundam nas ondas
e procuram as histórias futuras.
Corpos vivos, ondas soltas e, no cimo,
os despojos de um velho amor
que permanecem à deriva no mar.
Uma nova história começa, acaba a onda,
o desejo eleva-nos os calcanhares,
solta-se um grito de espuma que não se quer calar.

Ana Sofia Alves
4 de Fevereiro de 2022

Vou por aí a procurar

Sofia
22
Jan22

Não apareceia por aqui desde o ano passado, por isso quero desejar-vos um Feliz 2022! 

Espero que esteja ano nos traga a todos mudanças para melhor e que nos permita crescer. Quanto a mim, espero encontrar-me, porque perdi-me algures no tempo.

 

Cartola - Preciso Me Encontrar

 

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir pra não chorar

 

Quero assistir ao Sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

 

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar

 

Quero assistir ao Sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

 

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

 

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir pra não chorar

Os astros lá no alto

Sofia
09
Out21

Os astros lá no alto não querem saber das nossas dores.

Mesmo quando o mundo bate dentro do nosso peito,

não temos direito a qualquer pequena contemplação.

Mesmo que as lágrimas afundem um pequeno coração,

o Universo permanece igual. Chega-se assim à conclusão:

não há nada no coração, é só sangue e carne pulsante.

Memórias de aconchego, sorrisos ou lágrimas de tristeza

são frutos da nossa imaginação. No entanto, o ritmo,

a pulsação, parece contar uma história. Parece haver

uma memória, sorrisos e lágrimas. O sangue espalha-se

por todo o corpo, a história corre-nos pelas nossas veias.

As memórias permanecem como alicerces e sentimo-nos

um edifício belo, mas degradado. Já não há tecto que nos

proteja, apenas astros lá no alto que não querem saber.

Fazemos promessas feias ao infinito quando há esperança.

Consumimo-nos até sermos apenas fumo que segue no ar.

Consumimo-nos até que a carne se desfaça em bocados,

até que o sangue que nos dá vida decida parar de correr.

Quantas histórias! Quantas pulsações! Quanta loucura!

Chamam-lhe viver. Quantas mortes? Quantas vidas?

 

Ana Sofia Alves

9 de Outubro de 2021