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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

Pensamento do Dia #11

Sofia
11
Fev23

Sabes que a tua vida voltou ao normal e que a covid parece uma coisa já mais distante quando:

- Já sais de casa normalmente e tens de novo uma rotina casa-trabalho ;

- Voltas a ver a cara das pessoas com quem falas ou te cruzas (algumas vês pela primeira vez) ;

- Voltas a inscrever-te no ginásio (e quem bem que me fez esta semana regressar );

- Voltas a ter jantares com a família ou com amigos e ainda dás mais valor a isso ;

- Voltas a ir ao Estádio da Luz e agora até vais apoiar o teu clube em várias modalidades ;

- Voltas a compras bilhetes para espectáculos / concertos ;

- Voltas a sofrer com as greves de transportes  (E estás tão farta que decides descarregar o stress numa bela caminhada de um pouco mais de 1h do trabalho até casa. Já tinha passado talvez mais de metade da caminhada quando fui ver a minha irmã que me deu um copo de água e tupperwares com comida para o jantar  Saí a correr para tentar ver se o autocarro desaparecido aparecia e sempre chegava mais rápido a casa. Apareceu! )

 

Tenham um excelente fim-de-semana! 

...

Sofia
04
Nov22

Não é que tenha perdido a vontade de escrever, mas tudo passa agora muito rápido e, sem darmos por isso, nós vamos agarrados a esse comboio rápido. Escrever obriga-nos a sair desse comboio por momentos. Somos obrigados a desacelerar e sair numa das paragens. Quando preciso de desacelerar, penso e escrevo. Às vezes penso no que escreveria e isso é um problema porque significa que não estou a aproveitar bem o momento de pausa e imersão.

Fala-se imenso em desacelerar, mas fala-se em demasia. Fala-se de tudo em demasia, até à exaustão. Os extremos nunca me pareceram bons, por isso, parece-me melhor tentarmos manter-nos no centro. Mas isso também cansa, sobretudo se não estivermos habituados. Os nossos pés dançarinos tentam manter-nos equilibrados, mas não é fácil levar com o que vem da cada lado.

Tirando esta sensação de demasiada aceleração e os outros problemas nacionais e mundiais que nos afligem a todos de alguma forma, não posso dizer que esteja mal.

Desde que mudei de trabalho que tenho mais tempo para mim e para os meus. Apesar de ter logo sentido melhorias, só agora as coisas ficaram mais organizadas. Depois de ter estado tanto tempo em teletrabalho, mudar de emprego e voltar ao trabalho presencial implicou organizar-me melhor e ter um maior planeamento de tarefas. No início, não foi fácil. Organizar as refeições como fazia antigamente parecia-me extremamente difícil no início. Dei comigo a pensar que antes da pandemia tinha uma espécie de poderes especiais e não sabia. Tretas, claro! Agora sinto que as coisas acalmaram.

Ainda assim, não me sinto tão calma como gostaria. O tal comboio que não pára é terrível. Tento ter calma e levar um dia de cada vez, como já aprendi a fazer antes.

No mês passado participei na corrida da ponte Vasco da Gama, mas fui a andar, porque nunca fui de correr nem estava preparada para isso. Fez-me bem. Fui obrigada pelo meu namorado que tinha uma inscrição dupla, mas ele fez bem em inscrever-me. Para além da escrita, andar, mesmo quando já se sente cansaço, é daquelas coisas que me faz bem.

Recentemente, tive de ir à estação de Entrecampos porque não me apercebi que o meu passe estava prestes a expirar. Fui fazer o pedido de passe com urgência. Não ia para aqueles lados há imenso tempo. Durante a faculdade, a estação de Entrecampos fazia parta do meu dia-a-dia. Depois, quando comecei a trabalhar, continuei a sair nessa estação para depois apanhar o metro. Entretanto, as mudanças de emprego foram-me afastando daquela estação e, ao lá voltar, fiquei grata por isso. O problema não é a estação, mas a cidade no geral. Por muito que ame a minha Lisboa, fico feliz por já só lá ir praticamente de passeio. Tinha-me esquecido de como era a confusão e a enorme quantidade de pessoas. Não é que não veja muita gente nos transportes quando vou para o trabalho, mas o ritmo não é o mesmo. Apesar de tudo, o meu dia-a-dia é muito mais calmo do que se tivesse de ir todos os dias para Lisboa.

No meio de tudo, há que ficar grata pelo que vai acontecendo e sorrir.

Há em nós uma grande vontade de imaginar

Sofia
07
Ago22

Há em nós uma grande vontade de imaginar.
Somos todos viajantes com histórias por contar.
Trazemos nos bolsos um pó fino chamado tempo,
Guardamos nos ossos palavras impressas pelo coração.
Trazemos nos bolsos instantes e momentos,
Guardamos nos ossos essa nossa fundação.

Não me esqueço de como o corpo se deteriora,
À medida que o pó se vai soltando das nossas mãos.
Aconchegamo-nos nos nossos bolsos, durante a nossa solidão.

Queríamos que fosse cimento, colado e firme, este momento.
Queríamos que fosse pedra, uma rocha ou monumento.
Queríamos que fosse um fosso e que tudo estivesse lá dentro.

É pó e é leve. É poeira que se solta e que se abraça ao firmamento.
São histórias que rasgam o céu em dois e nos fazem suspirar.
Trazemo-las nas algibeiras, algumas nas nossas meias,
não as queremos deixar.

Ana Sofia Alves
7 de Agosto de 2022

Moinhos de vento

Sofia
01
Ago22

Primeiro foram os moinhos de vento, aqueles moinhos coloridos que as crianças transportam nas mãos carregadas de esperanças, aqueles moinhos que os avós compraram em feiras para oferecer aos petizes.

Os moinhos giraram todos ao mesmo tempo e, ao mesmo tempo, cada moinho soltou-se da sua pega e girou bem alto no céu.


Depois foram os rios, como seres vivos que fogem para preservar a sua liberdade, os rios correram em direcção às nascentes no alto das montanhas. Os peixes seguiram os seus rumos.

 

Por último, foram as aves. Migraram para as mais altas montanhas e apenas as gerações mais velhas se aperceberam das novas cores do céu.

 

Nos cumes mais altos, as aves e os moinhos esvoaçavam coloridos no ar. Nas águas dos rios, havia peixes dourados.

 

Ontem éramos crianças de mãos dadas a correr nos recreios das escolas.

Hoje somos já velhos e enrugados como as capas dos livros das mais antigas bibliotecas.
Passaram por nós os moinhos, os rios e as aves.
As cores encheram-nos de alegria e, algures nas nossas montanhas, escondemos os nossos tesouros de uma vida.

Ana Sofia Alves
1 de Agosto de 2022

O velho e o novo e o Tejo a passar ao lado

Sofia
22
Mai22

Bem sei que deixei de cá vir. Primeiro, faltava-me tempo. Depois, ganhei tempo, mas esse tempo tem sido usado para cuidar de mim.

Mudei de trabalho há 2 meses e, apesar de ter voltado ao trabalho presencial, ganhei muito mais tempo para mim. De facto, foi um dos motivos que me levou a arriscar e a aceitar uma nova aventura. Não é fácil tomar certas decisões, mas essas são aquelas decisões que vão definir a nossa vida. São decisões que calcam fundo no caminho que percorremos e que se transformam em marcos na passagem dos anos. Tem sido fantástico voltar a trabalhar presencialmente e nunca pensei desafiar-me ao ponto de estar num trabalho em que também lidasse com clientes presencialmente. Claro que tenho medo de ter arriscado e de, no fim, não ser este o meu lugar, mas é preciso avançarmos e não deixarmos que o medo nos paralise. Neste momento, sinto-me bem onde estou e é aqui que quero estar. A nível pessoal, a mudança de emprego fez-me voltar a ter mais tempo. Por muito que gostasse da minha antiga empresa, colegas e chefias, as horas de trabalho e o ritmo alucinante não me estavam a fazer bem. Agora, não tenho sentido tantas dores de cabeça como antigamente e, à noite, durmo muito melhor. Podia ter optado por tomar os ansiolíticos que o médico me passou, mas continuo uma teimosa e achei que seria melhor procurar um caminho diferente e que resolvesse as questões a fundo. A oportunidade apareceu-me numa altura em que eu precisava de mudar e, quando algo nos aparece sem procurarmos, deve ser um sinal de que afinal há algo mais para nós.

Talvez agora possa voltar a escrever mais no blog e fora dele. Estou a agarrar as rédeas da minha vida e a reencontrar-me e não podia estar mais feliz. Ontem celebrei 12 anos de namoro. No meio das mudanças, mantêm-se as melhores coisas. Passeámos pela nossa Lisboa como antigamente e fomos jantar aonde já tínhamos jantado noutros tempos. O tempo passa e há espaços que se mantêm nas nossas cabeças e nas cidades. Visitar Lisboa é agora mais agradável. A nossa vida profissional já não passa por Lisboa. No meu novo percurso do trabalho para casa passo pelos sítios da minha infância: a minha antiga praceta, as escolas onde estudei, o pequeno shopping local que me parecia enorme quando eu era uma criança, o meu antigo ginásio aonde penso agora regressar... Todo este novo percurso faz sentido. O velho e o novo juntos trazem-me o equilíbrio que eu tanto procurava recuperar.

Sejam felizes :)

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Lisboa, 21 de Maio de 2022