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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

Rubis

Sofia
30
Ago25

Para debaixo da terra e das pedras

escorre o sangue quente, contrato

que se firma e mantém após a vida

 

Corpo sobre corpo, sangue vivo e

dentes que se fundem com a carne

e forjam o corpo como armadura

adornada com os rubis quentes

 

O sangue manda mais que a vida

O sangue manda mais que a morte

 

O corpo quente fica avermelhado

do seu sangue que corre acelerado

E nas feridas que se abrem, o sangue

vinga-se de todos os fantasmas que

ousaram um dia atormentar a alma

 

Ana Sofia Alves

30 de Agosto de 2025

 

Asas

Sofia
27
Ago25

Quantas asas terei de fazer nascer

nas minhas costas até conseguir levantar voo?

 

Vivo sem sentir o sabor do vento e

as asas caem e renascem

sem que eu possa experimentar voar.

 

Estou sempre à beira, sempre ferida e sempre despida

das minhas asas.

 

Ana Sofia Alves

27 de Agosto de 2025

Pensamento do dia #20

Sofia
18
Ago25

Todos os dias faço uma escolha e a minha escolha sou eu.

No final, serei sempre a minha melhor companhia, aquela em quem mais poderei confiar, aquela que nunca me irá abandonar. Esta escolha é o que me agarra à terra, mantém-me firme como uma longa raiz que me segura há anos.

Quando o aborrecimento se faz sentir, eu lembro-me de que basto eu, apenas. Eu escolho os meus sofrimentos, as minhas alegrias e tédios.

Existo porque continuo a escolher-me e isso basta.

A minha caneta partiu-se

Sofia
18
Ago25

A minha caneta partiu-se em duas partes

e eu juntei cada parte a cada uma das minhas mãos

Alonguei-me pelo papel branco como se as mãos

fizessem por não me deixar cair

O papel suporta sempre este meu peso

As mãos calejadas não se importam de dançar

nas arestas brancas

A caneta

partiu-se em duas partes

E eu escrevo em partes

Sobram-me dores que não consigo escrever

Para essas sobra o meu corpo que o papel acolhe

 

Ana Sofia Alves

18 de Agosto de 2025

Surto hipnótico

Sofia
04
Ago25

Foi com os meus olhos escuros que vi as pedras

e por cima de cada uma depositei um beijo.

Atirei-as, uma a uma, do alto daquela falésia

para que os meus beijos ardessem e desfizessem

todas as pedras que aparecem no caminho.

Lá em baixo, o mar assustou-se com a chuva de

pedras quentes e as suas cores mudaram

como eu mudo com as estações.

No fundo do mar, um surto hipnótico e pedras.

Dentro de mim, o fundo do mar.

 

Ana Sofia Alves

4 de Agosto de 2025

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