Orvalho
Vi-o como o orvalho fresco em cima das folhas verdes
O seu beijo soube-me a gotas de água que anunciam o dia
E os seus olhos eram terra com raízes que me amarravam
Ana Sofia Alves
11 de Setembro de 2025
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Vi-o como o orvalho fresco em cima das folhas verdes
O seu beijo soube-me a gotas de água que anunciam o dia
E os seus olhos eram terra com raízes que me amarravam
Ana Sofia Alves
11 de Setembro de 2025
O meu nome arde na ponta dos meus dedos,
dedilhado como as cordas de uma guitarra.
Feridos os dedos, o nome queima a mão.
Sou febre que arde pelas memórias da noite
e poema que se esgota em jogos de dados.
Ou será um poema de dedos chamuscados?
Na ponta, ardem labaredas vermelhas
e a noite já não é tão densa.
Ana Sofia Alves
2 de Setembro de 2025
Para debaixo da terra e das pedras
escorre o sangue quente, contrato
que se firma e mantém após a vida
Corpo sobre corpo, sangue vivo e
dentes que se fundem com a carne
e forjam o corpo como armadura
adornada com os rubis quentes
O sangue manda mais que a vida
O sangue manda mais que a morte
O corpo quente fica avermelhado
do seu sangue que corre acelerado
E nas feridas que se abrem, o sangue
vinga-se de todos os fantasmas que
ousaram um dia atormentar a alma
Ana Sofia Alves
30 de Agosto de 2025
Quantas asas terei de fazer nascer
nas minhas costas até conseguir levantar voo?
Vivo sem sentir o sabor do vento e
as asas caem e renascem
sem que eu possa experimentar voar.
Estou sempre à beira, sempre ferida e sempre despida
das minhas asas.
Ana Sofia Alves
27 de Agosto de 2025
A minha caneta partiu-se em duas partes
e eu juntei cada parte a cada uma das minhas mãos
Alonguei-me pelo papel branco como se as mãos
fizessem por não me deixar cair
O papel suporta sempre este meu peso
As mãos calejadas não se importam de dançar
nas arestas brancas
A caneta
partiu-se em duas partes
E eu escrevo em partes
Sobram-me dores que não consigo escrever
Para essas sobra o meu corpo que o papel acolhe
Ana Sofia Alves
18 de Agosto de 2025