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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

Noite

Sofia
02
Set25

O meu nome arde na ponta dos meus dedos,

dedilhado como as cordas de uma guitarra.

Feridos os dedos, o nome queima a mão.

Sou febre que arde pelas memórias da noite

e poema que se esgota em jogos de dados.

Ou será um poema de dedos chamuscados?

Na ponta, ardem labaredas vermelhas

e a noite já não é tão densa.

 

Ana Sofia Alves

2 de Setembro de 2025

Rubis

Sofia
30
Ago25

Para debaixo da terra e das pedras

escorre o sangue quente, contrato

que se firma e mantém após a vida

 

Corpo sobre corpo, sangue vivo e

dentes que se fundem com a carne

e forjam o corpo como armadura

adornada com os rubis quentes

 

O sangue manda mais que a vida

O sangue manda mais que a morte

 

O corpo quente fica avermelhado

do seu sangue que corre acelerado

E nas feridas que se abrem, o sangue

vinga-se de todos os fantasmas que

ousaram um dia atormentar a alma

 

Ana Sofia Alves

30 de Agosto de 2025

 

Asas

Sofia
27
Ago25

Quantas asas terei de fazer nascer

nas minhas costas até conseguir levantar voo?

 

Vivo sem sentir o sabor do vento e

as asas caem e renascem

sem que eu possa experimentar voar.

 

Estou sempre à beira, sempre ferida e sempre despida

das minhas asas.

 

Ana Sofia Alves

27 de Agosto de 2025

A minha caneta partiu-se

Sofia
18
Ago25

A minha caneta partiu-se em duas partes

e eu juntei cada parte a cada uma das minhas mãos

Alonguei-me pelo papel branco como se as mãos

fizessem por não me deixar cair

O papel suporta sempre este meu peso

As mãos calejadas não se importam de dançar

nas arestas brancas

A caneta

partiu-se em duas partes

E eu escrevo em partes

Sobram-me dores que não consigo escrever

Para essas sobra o meu corpo que o papel acolhe

 

Ana Sofia Alves

18 de Agosto de 2025