Casa sem telhados
Sofia
12
Nov25
Escrevo-me num eco que se propaga desde o meu centro
Escrevo-me no escuro da noite e nessa batida do meu coração
Há uma casa sem telhados que serve de abrigo ao meu coração
Todos os dias, as veias erguem-se como um esqueleto
Todos os dias, a casa fica mais frágil
Todas as noites, murmuro nomes
Os ossos incham de tanto silêncio
O corpo transborda palavras vãs
Escrevo-me em pavios que queimam
Ana Sofia Alves
12 de Novembro de 2025