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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

Não tarda virá o Inverno

Sofia
17
Jul25

Aquele pão já está seco e duro. Quando se toca, esfarela-se.

As cerejas ao lado já começaram a apodrecer e ganhar bolor.

Os olhos estão também presos à podridão dos dias.

 

Os dias apodrecem como fruta por trincar.

As bocas abriram-se ao sabor dos frutos, mas a fruta caiu

ao lado e apodreceu no chão.

Não tarda virá o Inverno para congelar o tempo.

As mãos ficarão quietas à procura das palavras apodrecidas

no teclado de um computador.

 

Há repulsa por estes estados, mas não é suficiente.

Os corpos apodrecem como a fruta e o pão velho

enquanto os cérebros minguam em frente a um ecrã.

Também os olhos se vão perdendo no Inverno da alma

e do corpo.

 

São quatro paredes estáticas e sempre presentes

para uma cabeça sempre ausente.

São ossos que se sentem como cordas ou adagas na pele.

 

Não tarda virá o Inverno, outra vez.

 

Ana Sofia Alves

17 de Julho de 2025