Os dedos adormecem
Sofia
14
Jul25
Os dedos adormecem agora cansados
de escavar terra suja que se entranha
nas unhas e no corpo. Dei-lhes uma nova
morada com fios de marioneta e pedi
que alguém lhes desse vida por mim.
Revisito o meu corpo passageiro
e, sem dedos, já nada sinto ao tocar.
Quebram-se ossos só de olhar para
cima. Por detrás do meu corpo,
um suspiro alheio que nada me diz.
Remexo esta terra caída no chão.
Aqui já nasceu uma flor e o ar já
foi mais leve. A terra é seca e a raiz
ficou presa aos meus dedos cansados.
Haverá mais flores por nascer.
Ana Sofia Alves
14 de Julho de 2025