Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

...

Sofia
27
Set25

Gemini_Generated_Image_173whb173whb173w.png

 

Há coisas que de tão aleatórias parecem destino. Isto serve para imensas coisas que acontecem.

Sinto-me bem e plena. A recuperação do joelho tem corrido bem e em menos de um mês já devo estar pronta para ir à minha vida. Há altos e baixos, dias menos bons, mas o que conta é o caminho e o resultado. Não ficarei logo a 100%, é certo, porque há coisas que vão demorar um pouco e vão implicar que mantenha o foco e continue este trabalho de fortalecimento por mim. Coisas engraçadas: tanto trabalhei na perna operada que o equilíbrio dessa perna agora é melhor do que o da outra. Agora é fortalecer-me como o todo que sou e continuar a trabalhar nos detalhes e movimentos da perna direita.

No trabalho, já estou de volta ao trabalho presencial, embora, devido à fisioterapia, esteja a trabalhar um pouco em teletrabalho de manhã. Tenho conseguido manter a minha energia positiva e isso tem-se reflectido no dia-a-dia. Sinto-me mais forte, mais capaz, menos medrosa. Sinto-me mais inteira, sem problemas em ser como sou e isso torna cada dia ainda mais especial, porque estou a ser capaz de não me apagar na rotina. Também me sinto mais selectiva - se a idade me ensinou a não me preocupar tanto com o que pensam de mim, a força que sinto fez-me crescer e evitar aquilo que não me faz bem. Preocupo-me com aqueles e com aquilo que realmente é importante para mim e o que não me faz bem é para deixar para trás. A vida, por si, já se encarrega de nos dar alguns pesos, não precisamos de levar outros connosco.

E não é que os Iron Maiden vão voltar e tem tudo para ser melhor ainda porque desta vez será no Estádio da Luz? Espero que este bilhete não seja para vender como o outro, muito menos por causa de uma lesão.

Pensamento do dia #20

Sofia
18
Ago25

Todos os dias faço uma escolha e a minha escolha sou eu.

No final, serei sempre a minha melhor companhia, aquela em quem mais poderei confiar, aquela que nunca me irá abandonar. Esta escolha é o que me agarra à terra, mantém-me firme como uma longa raiz que me segura há anos.

Quando o aborrecimento se faz sentir, eu lembro-me de que basto eu, apenas. Eu escolho os meus sofrimentos, as minhas alegrias e tédios.

Existo porque continuo a escolher-me e isso basta.

Recomeços

Sofia
24
Jul25

No Sábado já larguei a 2ª canadiana e a recuperação está a ir bem. Na fisioterapia já me tinham dito que estava óptima e para não me preocupar demais. Hoje o médico disse que estava muito bem e que agora é continuar a fisioterapia, já menos vezes por semana, para ficar ainda melhor.

Amanhã regresso ao trabalho e já em modo presencial  Sinto-me numa espécie de regresso às aulas, porque nunca tinha estado mais de 2 semanas sem trabalhar.

Este período pós-operação tem sido impressionante! Sinto que para além de estar a curar o corpo tenho estado a curar o espírito.

Tenho andado a organizar a casa que ficou um pouco confusa. Quando não conseguia andar facilmente, o meu namorado e a minha irmã organizaram muitas coisas de um modo diferente e agora estou confusa. Ser baixinha faz-me preferir uma organização prática, sem coisas em sítios muito altos.

Preciso de manter o meu tempo para a leitura e para a escrita escrita após regressar ao trabalho. Apercebi-me de que isso me estava a fazer imensa falta.

Sábado conto ver os meus amigos benfiquistas e ir, finalmente, à Luz! Vai ser uma lufada de ar fresco. Talvez vá com um dos novos calções do SLB que o meu namorado me ofereceu durante esta fase. Antes não estava à vontade para usar calções, mas, como passei a ter de os usar nas fisioterapia, já não estou muito preocupada. São bastante confortáveis e sinto-me bem com eles. O resto não interessa.

Sinto-me a recomeçar com o  joelho direito 

Pasito a pasito

Sofia
17
Jul25

A recuperação tem corrido bem. Já larguei uma canadiana. Em casa já ando sem nenhuma, sem exageros. Na fisioterapia, hoje, já comecei a largar a segunda canadiana e a fazer exercícios com o step. Também já vou fazendo exercícios com pesos. Devo ficar feliz porque, logo após a operação, recuperei a extensão da perna e tudo parece correr bem. Ainda assim, a minha perna esquerda lembra-me de como é que a perna direita era antes, da fluidez, da capacidade de hiperextensão... Tenho de me lembrar sempre de que cada dia é um novo dia, mas que a luta é a mesma e que o que importa é continuar. Já consigo ir fazendo coisas em casa e o meu pé já não me dá choques quando eu o pouso no chão. Tudo isto são vitórias e sinto-me grata.

Às vezes sinto saudades de dançar sozinha e até de correr. Há pouco o reggaeton puxou por mim e, devagarinho, mexi-me no meu quarto e fiquei feliz. Percebi que realmente estou a melhorar. Connosco temos de conviver a vida toda. É bom saber que o meu corpo já se aguenta em pé, inteiro. Correr é uma miragem, mas, quando me lembro da corrida na ponte Vasco da Gama, dá-me imensa vontade de correr. O meu namorado inscreveu-me nessa corrida e eu apenas ia andar como muitos outros fazem. Assim que a corrida começou, descobri uma vontade enorme de correr e, ainda hoje sem saber porquê, comecei a correr e a correr e a correr. Não ia preparada, mas acabei a correr quase 5 km e foram quase 5 km em que me senti bastante livre. Foi das melhores sensações que tive e, hoje, mesmo sem conseguir correr, não consigo deixar de me sentir bem e em paz ao recordar esta sensação que vivi. Essa corrida fez-me tão bem que acabei por me inscrever na corrida do Benfica - havia muita energia, mas faltou-me a frescura do rio de manhã. Na corrida do Benfica aguentei-me 6 km. A Avenida Lusíada venceu-me e nunca mais consegui lá passar sem sentir o calor e a transpiração daquele dia. Acabei bem, respeitei os meus limites, mas cheguei a casa e vomitei-me toda. Agora rio-me disso porque já nem me lembrava de ter ficado assim...

Já que estou numa de reggaeton e música latina, é bom lembrar-me "pasito a pasito".

Hei-de voltar a caminhar muito e fazer rotas - e ainda hei-de escrever sobre isso! Apercebi-me de que nunca aqui escrevi muito sobre as caminhadas pelo nosso belo país e que o podia fazer mais. Em 2023 mal aqui estive, mas, nas férias, fiz uma caminhada fantástica em Ferreira do Zêzere: Trilho da Pombeira. O Trilho da Pombeira é uma Pequena Rota circular de 10,2 km. Como não conduzimos, quando vamos fazer alguma rota, acabamos sempre a andar um pouco mais. Nesse dia saímos do hotel e só voltámos 19,10 km depois. Vimos paisagens belíssimas e estivemos no meio do nada. Quando regressámos, de tarde, ficámos de molho na piscina do hotel. Foram só 3 dias, mas pareceram uma eternidade de tão bons que foram! Felizmente, ao preparar a mochila, contrariei os meus medos e meti os biquínis na mochila. Teria sido mesmo um desperdício não ter aproveitado a piscina do hotel vazia ou a praia fluvial por causa das inseguranças...

O que não nos mata, torna-nos mais fortes

Sofia
22
Jun25

Em Março tive a queda mais estúpida da minha vida que me deu cabo do menisco. Fui operada no dia 12 e estou agora a usar as minhas forças para recuperar. Não perdi o menisco e, segundo o médico, o resto do joelho está bom.

Entretanto, há uns dias tomei algumas notas para mais tarde recordar. Deixo-as aqui já com alguns acrescentos:
- Os médicos, enfermeiros e auxiliares são anjos sem asas que andam aqui pelo mundo 
- Começar a ter uma enxaqueca com náuseas antes da operação fez-me logo perder o medo da anestesia e desejar que fosse o quanto antes 
- Acordar perdida sem saber onde estava ou o que aconteceu e com lágrimas nos olhos é muitoooo estranho. As memórias lá voltaram e eu depois lá me lembrei que tinha ido para uma cirurgia  Eu que me lembro de imensas coisas com que sonho, dei por mim sem me lembrar de nada, mas deve ser melhor assim. Se acordei com lágrimas nos olhos não deviam ser coisas muito boas. Lembro-me do médico falar comigo na sala de recobro, mas parece-me sempre que foi um sonho. Sei que não foi porque junto à minha cama ficaram as folhas que o médico disse que me ia deixar.
- Gostava de nunca ter precisado de saber o que era uma arrastadeira  Nunca estive numa posição tão dependente da ajuda dos outros e agora percebo quando algumas pessoas dizem que após uma operação se têm de aprender algumas coisas como bebés.

- Sabe bem ouvir / ler umas palavras de força dos amigos e família e é sempre bom para puxarmos pelo nosso ânimo e não nos esquecermos de ser fortes. 

- Já passou uma semana e continuo a odiar as canadianas. Os 5 ou 6 degraus que o meu prédio tem antes dos elevadores nunca me pareceram tão assustadores como nos últimos dias. No dia em que voltei a casa ia caindo nos degraus e ainda por cima tive uma quebra de tensão que só piorou a situação. Só voltei a ter de enfrentar os degraus esta 4ª feira para ir à consulta. Correu um pouco melhor, mas continuou a ser uma experiência má. Não ter caído ou feito novas nódoas negras já foi uma vitória. Até à próxima consulta espero ganhar um pouco mais de força, nem que seja mental.  Espero ansiosamente por poder ter alguma carga na perna do joelho operado.
- Há quem pense que estar de baixa é estar de férias...  Foco-me em mim e na minha recuperação. Nunca pensei ver a minha auto-estima melhorar numa altura menos boa e em que estou mais vulnerável fisicamente. Evito preocupar-me com o que pensam de mim, do meu corpo e da minha vida. De repente adoro o meu corpo e quero cuidar de mim o melhor possível. Este corpo é parte de mim e já me levou a muitos lados. Ainda me há-de levar a muitos mais  Para já, acordo à mesma hora como se fosse trabalhar e depois começo a série de exercícios. Meto gelo de seguida. Passados uns minutos, volto a repetir a série de exercícios e gelo. O objectivo é fazer 5 a 10 vezes os exercícios. Para evitar o tédio, meto na TV do quarto músicas, séries ou documentários e vou ouvindo e dando um olho enquanto me dedico à recuperação.

- Cada vez faz mais sentido a expressão "o que não nos mata, torna-nos mais fortes"  Bem sei que há coisas piores, mas cada um tem as suas experiências de vida. Sem escolha, calhou-me agora esta, mas que ao menos sirva para crescer.