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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

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um mundo num grão de areia

Pasito a pasito

Sofia
17
Jul25

A recuperação tem corrido bem. Já larguei uma canadiana. Em casa já ando sem nenhuma, sem exageros. Na fisioterapia, hoje, já comecei a largar a segunda canadiana e a fazer exercícios com o step. Também já vou fazendo exercícios com pesos. Devo ficar feliz porque, logo após a operação, recuperei a extensão da perna e tudo parece correr bem. Ainda assim, a minha perna esquerda lembra-me de como é que a perna direita era antes, da fluidez, da capacidade de hiperextensão... Tenho de me lembrar sempre de que cada dia é um novo dia, mas que a luta é a mesma e que o que importa é continuar. Já consigo ir fazendo coisas em casa e o meu pé já não me dá choques quando eu o pouso no chão. Tudo isto são vitórias e sinto-me grata.

Às vezes sinto saudades de dançar sozinha e até de correr. Há pouco o reggaeton puxou por mim e, devagarinho, mexi-me no meu quarto e fiquei feliz. Percebi que realmente estou a melhorar. Connosco temos de conviver a vida toda. É bom saber que o meu corpo já se aguenta em pé, inteiro. Correr é uma miragem, mas, quando me lembro da corrida na ponte Vasco da Gama, dá-me imensa vontade de correr. O meu namorado inscreveu-me nessa corrida e eu apenas ia andar como muitos outros fazem. Assim que a corrida começou, descobri uma vontade enorme de correr e, ainda hoje sem saber porquê, comecei a correr e a correr e a correr. Não ia preparada, mas acabei a correr quase 5 km e foram quase 5 km em que me senti bastante livre. Foi das melhores sensações que tive e, hoje, mesmo sem conseguir correr, não consigo deixar de me sentir bem e em paz ao recordar esta sensação que vivi. Essa corrida fez-me tão bem que acabei por me inscrever na corrida do Benfica - havia muita energia, mas faltou-me a frescura do rio de manhã. Na corrida do Benfica aguentei-me 6 km. A Avenida Lusíada venceu-me e nunca mais consegui lá passar sem sentir o calor e a transpiração daquele dia. Acabei bem, respeitei os meus limites, mas cheguei a casa e vomitei-me toda. Agora rio-me disso porque já nem me lembrava de ter ficado assim...

Já que estou numa de reggaeton e música latina, é bom lembrar-me "pasito a pasito".

Hei-de voltar a caminhar muito e fazer rotas - e ainda hei-de escrever sobre isso! Apercebi-me de que nunca aqui escrevi muito sobre as caminhadas pelo nosso belo país e que o podia fazer mais. Em 2023 mal aqui estive, mas, nas férias, fiz uma caminhada fantástica em Ferreira do Zêzere: Trilho da Pombeira. O Trilho da Pombeira é uma Pequena Rota circular de 10,2 km. Como não conduzimos, quando vamos fazer alguma rota, acabamos sempre a andar um pouco mais. Nesse dia saímos do hotel e só voltámos 19,10 km depois. Vimos paisagens belíssimas e estivemos no meio do nada. Quando regressámos, de tarde, ficámos de molho na piscina do hotel. Foram só 3 dias, mas pareceram uma eternidade de tão bons que foram! Felizmente, ao preparar a mochila, contrariei os meus medos e meti os biquínis na mochila. Teria sido mesmo um desperdício não ter aproveitado a piscina do hotel vazia ou a praia fluvial por causa das inseguranças...

Pensamento do Dia #11

Sofia
11
Fev23

Sabes que a tua vida voltou ao normal e que a covid parece uma coisa já mais distante quando:

- Já sais de casa normalmente e tens de novo uma rotina casa-trabalho ;

- Voltas a ver a cara das pessoas com quem falas ou te cruzas (algumas vês pela primeira vez) ;

- Voltas a inscrever-te no ginásio (e que bem que me fez esta semana regressar );

- Voltas a ter jantares com a família ou com amigos e ainda dás mais valor a isso ;

- Voltas a ir ao Estádio da Luz e agora até vais apoiar o teu clube em várias modalidades ;

- Voltas a compras bilhetes para espectáculos / concertos ;

- Voltas a sofrer com as greves de transportes  (E estás tão farta que decides descarregar o stress numa bela caminhada de um pouco mais de 1h do trabalho até casa. Já tinha passado talvez mais de metade da caminhada quando fui ver a minha irmã que me deu um copo de água e tupperwares com comida para o jantar  Saí a correr para tentar ver se o autocarro desaparecido aparecia e sempre chegava mais rápido a casa. Apareceu! )

 

Tenham um excelente fim-de-semana! 

Visita à Tapada de Mafra

Sofia
31
Jul21

Estar noiva deixa-me com os nervos à flor da pele, mesmo que tenhamos decidido casar só daqui a uns dois anos. Dois anos não são nada numa altura em que parece que o tempo corre mais rápido, apesar de sentirmos que os nossos dias estão mais vazios do que dantes. Já saímos mais de casa, mas com o teletrabalho nunca se sai tanto como se saía e os dias tornam-se muito repetitivos. Embora o teletrabalho dê muito jeito e seja melhor em alguns aspectos, sair para trabalhar também tinha coisas boas. Os transportes públicos eram uma chatice, mas continuava a adorar comboios. Sempre me senti fascinada pelos comboios e gostava de um dia fazer uma grande viagem de comboio! Claro que no dia-a-dia os comboios têm alguns problemas que nos fazem rogar algumas pragas... Ainda assim, sair para trabalhar era estar mais exposta ao imprevisto e acho isso fascinante. O imprevisto tanto pode ser bom como mau, mas enche-nos os dias. Não é molhar o pezinho na água para ver se está fria, é mergulhar e depois sentir o frio.

 

Há uns tempos estivemos de férias e decidimos ir a Mafra no fim-de-semana. A pandemia apareceu e eu tinha um voucher do Odisseias por usar e já quase a expirar... Lá ganhámos coragem para passar uma noite fora de casa. Fez-nos bem. Soube a pouco e ao mesmo tempo foi muito. Precisávamos de uma lufada de ar fresco. Lufada? Qual lufada! Nós precisávamos de uma verdadeira ventania! Como não quisemos ir para muito longe, Mafra pareceu-nos uma boa opção porque poderíamos visitar a Tapada de Mafra. Já lá tínhamos estado em visitas de estudo, mas nenhum dos dois trouxe grandes memórias de lá porque as visitas pela escola não são feitas do mesmo modo que as visitas que fazemos por vontade própria.

Devido à pandemia, a Tapada de Mafra tem vários horários para os seus percursos e os bilhetes estão disponíveis para compra através do site. Foi fácil escolher um percurso e programar a nossa visita. Escolhemos o percurso verde. Fez-me bem percorrer aqueles 8 km em sossego (e com algum cansaço inicial por já não estar habituada e pelo facto de o percurso iniciar com uma subida). Se tínhamos dúvidas se iríamos conseguir ver javalis e gamos, as dúvidas foram dissipadas logo no início do percurso quando encontrámos uma mamã javali com as suas crias.

Como recordação da nossa visita à Tapada de Mafra trouxe um peluche de um javali. Não é tão bonito como os verdadeiros, mas serve-me de consolo. Quando era criança, queria muito um peluche de um javali por causa do filme d'O Rei Leão. Eu e a minha irmã dizíamos que éramos o Timon e o Pumba (por causa da magreza e pequenez da minha irmã e do meu peso um pouco excessivo) e queríamos muito ter uns peluches da dupla, mas nunca conseguimos encontrar um peluche do Pumba. A minha mãe foi connosco ao Colombo e procurámos insistentemente, mas sem sucesso, um peluche para a nossa colecção. Na altura, ir ao Colombo pareceu-nos uma coisa muito futurista. Nunca tínhamos visto um sítio tão grande e acreditávamos que por ser algo tão grande e recente iria ter o que procurávamos, porque uma coisa assim estava além da nossa imaginação da realidade. Como sabemos, a imaginação das crianças estende-se até ao infinito e mais além! (Já que estamos a falar da Disney e das recordações da minha infância, achei que esta frase ficava bem aqui. ) Uma imaginação tão grande proporciona-nos às vezes alguns dissabores, pois a realidade fica aquém daquilo que imaginamos. A ida ao Colombo para procurar um peluche do Pumba serviu-me de lição. Aprende-se desde pequeno que a realidade não é o que queremos ou o que parece. Depois há aqueles casos em que a realidade é mesmo bela e supera a imaginação, como os javalis e os gamos que vi ou as montanhas, vales, praias e outras formações maravilhosas que encontramos pelo mundo fora. Isso vale a pena e dá-nos fôlego!

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