Pasito a pasito
A recuperação tem corrido bem. Já larguei uma canadiana. Em casa já ando sem nenhuma, sem exageros. Na fisioterapia, hoje, já comecei a largar a segunda canadiana e a fazer exercícios com o step. Também já vou fazendo exercícios com pesos. Devo ficar feliz porque, logo após a operação, recuperei a extensão da perna e tudo parece correr bem. Ainda assim, a minha perna esquerda lembra-me de como é que a perna direita era antes, da fluidez, da capacidade de hiperextensão... Tenho de me lembrar sempre de que cada dia é um novo dia, mas que a luta é a mesma e que o que importa é continuar. Já consigo ir fazendo coisas em casa e o meu pé já não me dá choques quando eu o pouso no chão. Tudo isto são vitórias e sinto-me grata.
Às vezes sinto saudades de dançar sozinha e até de correr. Há pouco o reggaeton puxou por mim e, devagarinho, mexi-me no meu quarto e fiquei feliz. Percebi que realmente estou a melhorar. Connosco temos de conviver a vida toda. É bom saber que o meu corpo já se aguenta em pé, inteiro. Correr é uma miragem, mas, quando me lembro da corrida na ponte Vasco da Gama, dá-me imensa vontade de correr. O meu namorado inscreveu-me nessa corrida e eu apenas ia andar como muitos outros fazem. Assim que a corrida começou, descobri uma vontade enorme de correr e, ainda hoje sem saber porquê, comecei a correr e a correr e a correr. Não ia preparada, mas acabei a correr quase 5 km e foram quase 5 km em que me senti bastante livre. Foi das melhores sensações que tive e, hoje, mesmo sem conseguir correr, não consigo deixar de me sentir bem e em paz ao recordar esta sensação que vivi. Essa corrida fez-me tão bem que acabei por me inscrever na corrida do Benfica - havia muita energia, mas faltou-me a frescura do rio de manhã. Na corrida do Benfica aguentei-me 6 km. A Avenida Lusíada venceu-me e nunca mais consegui lá passar sem sentir o calor e a transpiração daquele dia. Acabei bem, respeitei os meus limites, mas cheguei a casa e vomitei-me toda. Agora rio-me disso porque já nem me lembrava de ter ficado assim...
Já que estou numa de reggaeton e música latina, é bom lembrar-me "pasito a pasito".
Hei-de voltar a caminhar muito e fazer rotas - e ainda hei-de escrever sobre isso! Apercebi-me de que nunca aqui escrevi muito sobre as caminhadas pelo nosso belo país e que o podia fazer mais. Em 2023 mal aqui estive, mas, nas férias, fiz uma caminhada fantástica em Ferreira do Zêzere: Trilho da Pombeira. O Trilho da Pombeira é uma Pequena Rota circular de 10,2 km. Como não conduzimos, quando vamos fazer alguma rota, acabamos sempre a andar um pouco mais. Nesse dia saímos do hotel e só voltámos 19,10 km depois. Vimos paisagens belíssimas e estivemos no meio do nada. Quando regressámos, de tarde, ficámos de molho na piscina do hotel. Foram só 3 dias, mas pareceram uma eternidade de tão bons que foram! Felizmente, ao preparar a mochila, contrariei os meus medos e meti os biquínis na mochila. Teria sido mesmo um desperdício não ter aproveitado a piscina do hotel vazia ou a praia fluvial por causa das inseguranças...