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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

Um poema para cada mês - Maio 2021

Sofia
17
Jan21

O mês de Maio é, para mim, um mês especial, pois foi o mês em que comecei a namorar com o meu companheiro. Assim, não me alongando muito, escolhi um poema que já tinha pensado partilhar anteriormente e que acho fantástico pelas palavras e pela sua forma.

Este poeta foi uma bela descoberta numa aula de inglês da licenciatura  (Uma aula com o melhor professor de inglês que alguma vez tive... O conhecimento linguístico e as escolhas literárias utilizadas para o ensino faziam daquelas aulas algo bastante interessante e um pouco fora do comum...)

 

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
                                                      i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
 
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
 
i carry your heart(i carry it in my heart)
 
 
E. E. Cummings

Histórias de recomeços

Sofia
05
Set20

Desde que voltei à rotina do trabalho no escritório que não tenho andando tanto por aqui. Pensava que o recomeço fosse mais difícil, que me fosse custar imensamente acordar de novo às 6 e tal da manhã e que me fosse sentir sem energia e paciência para cozinhar e fazer algumas limpezas e arrumações. Em vez disso, tenho acordado cedo sem grandes preocupações e sinto-me com mais energia agora. Chego do trabalho e ainda tenho energia para fazer algumas limpezas e preparar as refeições. A verdade é que a minha cabeça precisava disto... E as costas também...  As cadeiras do escritório são muitos melhores do que as minhas cadeiras da sala que não estão preparadas para que uma pessoa lá esteja sentada a trabalhar durante 8 horas.

Durante este tempo em que estive ausente do blog, tive algumas novidades boas na minha vida:

- Conheci pessoas novas e conheci pessoalmente colegas com quem apenas tinha falado por email/Teams;

- Descobri uma nova rádio (Tropical FM - passa muita música brasileira de que gosto  são mais as que gosto do que as que não me interessam muito);

- Tornei-me ainda mais perita em encomendas online (Não pensei que fosse possível tornar-me mais entendida do que já era  Já fazia as compras do supermercado pela internet há uns anos, mas agora já posso fazer um post a comparar supermercados online porque já experimentei vários  Também já experimentei encomendar roupa porque precisava de comprar peças de roupa básicas e necessárias - roupa interior - que se tinham estragado devido ao uso);

- Organizei e redecorei a casa de modo a torná-la mais funcional (com ajuda das encomendas online da IKEA - não, não é publicidade, mas sou grande fã da IKEA porque tem soluções fantásticas para casas pequenas como a minha e também sustentáveis);

- Soube que o Stephen Hendry vai voltar aos torneios de snooker ;

- Comecei a ir dormir mais cedo  (tem de ser, mas não me tem custado).

 

No trabalho, sinto que as coisas melhoraram porque a recente mudança trouxe-me a organização que eu sentia estar em falta e permitiu-me sentir-me mais acompanhada pela minha empresa. Passei a estar novamente mais próxima de colegas e chefias da minha empresa, apesar de continuar a estar junto de colegas e chefias da empresa cliente - coisas do outsourcing, que não é igual em todos os lados. Tenho orgulho de estar há 3 anos numa empresa de outsourcing que sinto que se preocupa com os colaboradores e clientes, que não vê o outsourcing como trabalho temporário e que não considera as pessoas descartáveis. Quando saí do meu primeiro trabalho, senti que precisava de mudar. Tinha recebido uma proposta pelo LinkedIn e isso fez-me pensar que estava na altura de experimentar algo novo, se não, apesar da estabilidade, não ia aprender coisas novas e de outras áreas e ia arrepender-me disso no futuro. Não foi fácil abandonar o meu primeiro emprego, porque tinha colegas de equipa fantásticos e porque nunca senti que a empresa falhasse comigo, mas foi algo que tive de fazer por mim mesma. Apesar dos colegas fantásticos, estavam a ocorrer algumas mudanças internas na equipa e alguns colegas acabaram por sair ainda antes de mim, o que certamente contribuiu para a minha decisão. Tinha colegas fantásticos, mas muitos estavam a abandonar o barco... Acabei por não sair devido à proposta inicial que me tinham apresentado, mas o processo já estava iniciado e a minha mente já estava resolvida. Na mesma altura, dei de caras com um anúncio da minha actual empresa e acabei por poder escolher onde queria ficar - avisei a outra empresa de que tinha tido outra opção e que já não iria avançar com o processo de recrutamento que estava em curso. Se alguém estiver numa situação semelhante, sugiro que faça o mesmo - é uma questão de respeito para com as pessoas e para com a empresa e não custa nada. Infelizmente, sinto necessidade de deixar esta nota porque já vi casos de muitas pessoas que abandonaram processos de recrutamento ou até mesmo formações sem dizer nada a ninguém... A minha experiência de entrevistas de emprego fez-me passar a ver o recrutamento e a procura de trabalho como uma questão de negócios e, para mim, os negócios devem pautar-se de transparência e boas relações. Num negócio, há pelo menos duas partes interessadas em ganhar alguma coisa e procura-se chegar a um acordo que o permita.

Quando olho para o meu percurso profissional, sinto que tenho crescido muito e que aprendi imenso sobre muitas coisas e sobre mim. No segundo ano de mestrado, quando já só me faltava fazer a tese, apercebi-me de que a a investigação talvez não fosse o caminho a seguir. Estava a enganar-me sem ter consciência disso. Quando comecei a perceber que estava a ir pelo caminho errado, tive de parar. Primeiro, pensei que ia colocar a tese de parte apenas temporariamente. Depois, já a trabalhar, percebi não estava a ir pelo caminho certo, apesar de adorar estudar e de ter imensas questões linguísticas por responder. Se há provérbio que para mim faz todo o sentido é o "Nunca digas nunca". Não sei se um dia voltarei a aprofundar o estudo na área da Linguística, mas não posso dizer que isso nunca irá acontecer. Neste momento tenho outros interesses que descobri após começar a trabalhar e, provavelmente, se voltasse a estudar, iria optar por outras áreas. Contudo, uma coisa não invalida a outra.

A Linguística ficou de parte e comecei a procurar emprego. Esperava ouvir muitos "Nãos", mas a verdade é que não ouvi nem "Sim" nem "Não". Assim como não é bonito quem procura emprego não dizer mais nada à empresa e às pessoas que investiram tempo no seu recrutamento, também não é bonito a empresa não dar uma única resposta à nossa candidatura. No início, não enviei candidaturas para anúncios de trabalho em call centers por causa do estigma associado. Geralmente tenho muita paciência, mas fartei-me rápido de não ter nem uma resposta e decidi enviar candidaturas para call centers. Disse a mim mesma que ia evitar a área das telecomunicações que, pelo que ouvia dizer, me parecia ser a pior. A paciência esgotou-me mais rápido do que da primeira vez e lá alarguei as minhas opções e fui chamada para a minha primeira entrevista que me trouxe o primeiro emprego - na área das telecomunicações!  Descobri que gostava da área das telecomunicações, sobretudo pelo seu dinamismo, e descobri o mundo do B2B (negócios entre empresas ) que se tornou também um interesse.

Quando saí do meu primeiro trabalho, as coisas não correram logo como esperado e fiquei com medo por não conhecer a minha empresa. É estranho pensar no que aconteceu. Eu fiz escolhas, mas parecia que as coisas tinham de acontecer como aconteceram. Quando vi o anúncio da minha empresa, olhei duas vezes para ele e pensei "Não deve ser bem o que está aqui descrito". Entretanto, decidi arriscar e pensei "Só vou saber se é ou não é se for à entrevista e o pior que pode acontecer é não ser nada do que aqui está escrito". Quem me fez o recrutamento foi bastante profissional e destacou-se. Tentou-me contactar quando eu ia no metro e não consegui atender. Tentei contactar de volta e não consegui. Pensei "Ana Sofia, já foste!". Entretanto, recebi um email a questionar-me quando é que poderiam voltar a contactar-me e a deixar-me também os contactos de retorno. Acho que este email e a atitude demonstrada me fizeram querer conhecer melhor a empresa. Na entrevista, percebi que o anúncio estava realmente certo quanto ao pretendido e percebi que iria entrar num processo selectivo e que mesmo a formação seria selectiva. O projecto era novo, por isso, havia mais riscos. Arrisquei. Não correu como esperava, porque nem cheguei à formação. A empresa cliente fez logo a selecção antes de a formação iniciar. Acabei por ficar à mesma na empresa e a trabalhar para a mesma empresa cliente. O início foi horrível, porque não me consegui adaptar bem às funções. Eu gosto de ter autonomia no meu trabalho e, nas novas funções, isso não acontecia, o que me deixou frustrada. Nesta altura, apercebi-me de que adorava a área das telecomunicações e que não me importaria de voltar a trabalhar na mesma área. (Saí da área na expectativa de conhecer outras áreas e não me apercebi de que ia levar aquele interesse comigo. Agora já não estou na área, mas o interesse ficou comigo até hoje.) Quando não aguentei mais estar em contradição comigo mesma e decidi sair, fui surpreendida. Deram-me a oportunidade de fazer algo diferente. Estava a terminar o período de formação e ainda não tinha assinada um contrato de trabalho. Não esperava o que aconteceu. Na minha antiga empresa, quando saí, ao fim de quase 2 anos, disseram-me que era normal as pessoas irem e virem porque eram uma empresa de recrutamento, que tinham gostado do meu trabalho e que tinham pena porque não tinham nada para me propor que me pudesse fazer ali ficar. Custou-me um pouco ouvir isto, apesar de saber que eram sinceros quando diziam que tinham gostado do meu trabalho. Não esperava que noutra empresa de recrutamento em que me conheciam apenas há alguns meses tivessem uma atitude diferente. Acabei por não sair da empresa e ficar a trabalhar para a mesma empresa cliente, mas na área das telecomunicações!

As relações humanas fazem parte da alma dos negócios... Se sinto que as minhas chefias e que a minha empresa me têm em conta como pessoa e não apenas como um número, não vou arriscar sair de onde estou sem pensar bem no assunto. Já me apresentaram propostas para empregos em que poderia ganhar um pouco mais e deixar de estar em outsourcing, mas acabei por recusar as propostas e não ir a entrevistas. Cheguei a pensar se teria feito bem em recusar as oportunidades que poderiam ser mais vantajosas, mas, quando me surgiu a oportunidade de mudar de projecto dentro da minha empresa, percebi que sim.

A quem procura o seu cantinho profissional, espero que o encontrem e que tenham sucesso! Os tempos não estão fáceis, mas o importante é não desistir e percebermos que dentro de nós temos um pequeno Aquiles de Pés Velozes.

Memórias de uma noite de Verão no Loch Ness

Sofia
13
Ago20

Há músicas que nos transportam para outros espaços onde estivemos no passado. Comigo, a This is the life da Amy Macdonald que estava a tocar hoje na rádio transporta-me sempre para uma estrada algures na Escócia. Não a consigo localizar porque era noite cerrada, já passava da uma da manhã. Estava tudo escuro e a única luz eram as estrelas no céu e os nossos telemóveis que serviam de lanternas. Há nossa volta havia silêncio e só se ouvia o nosso barulho, o barulho de caminhar, as nossas conversas e, entretanto, as minhas colegas a cantarem a This is the life acompanhadas da música que saía do telemóvel. Cantavam tão bem! Na altura não sabia que pertenciam a um coro na Croácia, mas não deixaria de ser impressionante se soubesse. Fico sempre fascinada com os dons dos outros e feliz por poder assistir a algo que me desperta os sentidos. Não me posso considerar uma pessoa religiosa, ainda que acredite que existe algo mais, porque "life happens"  e o espírito crítico também, mas fui educada na religião católica e lembro-me, às vezes, da parábola dos talentos. Não gosto do seu tom ligeiramente severo e punitivo, mas concordo com a ideia de que devemos dar uso aos nossos dons, ao que temos.

Loch Ness, Escócia, Agosto de 2012

Fotografia tirada pela Nina K., uma das pessoas fantásticas que pude conhecer na Escócia.

 

Esta noite de Verão na Escócia parece-me sempre saída de um filme. O Loch Ness, uma fogueira, as estrelas, algumas latas de sidra, a música a tocar... Sobre a música, só me lembro de quando tocou Led Zeppelin, porque é uma das minhas bandas favoritas e porque acabámos a comentar a casa que o Jimmy Page teve naquela zona. No final, a família inglesa que nos tinha convidado a ir ver as estrelas despiu-se e mergulhou no Loch Ness. Não esperávamos o súbito desfecho e, apesar da mente aberta, não os decidimos acompanhar apesar do convite.

Regressámos entretanto para o hostel. Saltámos uma cerca por onde tínhamos antes passado mas que não me lembro de lá estar, se calhar porque o caminho não estava fechado na altura. Seguimos estrada fora sem que um único carro passasse por nós. Assustámo-nos um pouco com o barulho das ovelhas que acordámos com a nossa passagem e pensámos que estávamos a viver uma cena de um filme, esperando que não fosse um filme de terror onde um grupo de estudantes é encontrado no meio do nada por alguém menos bem intencionado e que pode até ser um assassino. Correu tudo bem e o caminho até ao hostel proporcionou-me um bom momento de contemplação. Para quem nunca se sentiu no meio de nenhures, é difícil descrever a sensação. Sentimo-nos libertos e no centro do mundo. Somos nós e o universo. Sentimos que o mundo é belo e que há tanto por descobrir.

Tive sorte em participar duas semanas num Erasmus de Verão. Conheci pessoas fantásticas. Aprendi mais sobre outros países e culturas. Aprendi mais sobre mim. Estudei coisas bastante interessantes. Vi das paisagens mais belas da minha vida, talvez até mais belas do que as que vi no Japão (e ir ao Japão era a minha viagem de sonho)! Os dias eram longos, mas não se sentia o tipo de cansaço que se sente habitualmente no dia-a-dia. Acordávamos cedo para ir para as aulas e ao final do dia aproveitávamos a sala comum para apresentações temáticas sobre os nossos países e para falarmos uns com os outros. Fui tudo tão intenso!

História de um blog antigo

Sofia
13
Jul20

Ontem à noite não estava a conseguir adormecer. O calor não ajudava, mas o pior de tudo foi o espectáculo cinematográfico que estava a acontecer na minha cabeça. Tudo começou quando comecei a pensar em estruturas sintáctias e isso me levou ao tema da tese que nunca desenvolvi. Como um novelo que se desenrola, passaram-se imagens dos meus tempos na faculdade. Enquanto algumas recordações me deixaram saudosa, outras fizeram-me reviver algumas preocupações e arrependimentos.

O novelo continuou a desenrolar-se e a juntar pontas soltas de um novelo com outro. Quando dei por mim estava a lembrar-me de uma situação caricata.

No primeiro ano da licenciatura ainda tinha um blog. Devo ter tido mais do que um, aliás. Para dizer a verdade, não me lembro muito daquele blog. Partilhava alguns textos, mas também o meu dia-a-dia, com alguns desabafos pelo meio e momentos de felicidade. Um dia, para me animar, o meu namorado foi preparar o lanche e arranjou umas sandes em forma de coração. Achei tanta piada ao seu gesto que tirei uma foto e coloquei-a naquele meu espaço de recordações. Esse blog, ao contrário de outros, nunca foi muito lido, pelo menos que eu soubesse. Quando um colega meu de Alemão com quem não me lembro de falar me interpelou a mim e ao meu namorado no meio do corredor da faculdade, não me passava pela cabeça que seria para nos dizer que tinha visto o meu blog e que o meu namorado era um querido comigo. Continuo a pensar que esse meu antigo colega pesquisou o meu nome no Google e que foi por isso que descobriu aquele espaço (é o que dá não ter um blog anónimo), o que é um pouco estranho de imaginar, sobretudo porque não me vejo como uma pessoa que desperte a curiosidade, muito menos naquela altura. Se calhar estou enganada e as pessoas lembram-me mais de mim do que aquilo que penso. Se calhar, mesmo quando não uso roupas e batons de tons fortes, não passo assim tão despercebida.