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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

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Desafio as melhores férias

Sofia
01
Ago20

Fui desafiada pela @anadedeus para o desafio as melhores férias. Confesso que foi um desafio um pouco problemático para mim. Por um lado, é-me imensamente difícil escolher os melhores momentos e, consequentemente, as melhores férias. Por outro lado, "escrevo pelos cotovelos" (já a falar é quase o oposto) e tive de me cingir a 100 palavras.

Depois de recordar muitas coisas, houve umas férias que se destacaram e cheguei à conclusão de que foram as minhas melhores férias até hoje.  Foram umas férias simples, mas senti-me verdadeiramente de férias e foram um marco para mim e para o meu namorado.

 

Praia do Pedrogão, Agosto de 2011

Praia do Pedrogão, Agosto de 2011

Foto: Ana Sofia Alves

 

Éramos dois miúdos quando decidimos passar férias na Praia do Pedrogão. Foram dias de total relaxamento temperados inicialmente com chuviscos e nuvens. Depois veio o sol e a água do mar. Foi a primeira vez que passámos férias juntos sem ser em casa de familiares. Estreámos a nossa tenda e fizemos dela a nossa casinha. Passeámos, fizemos praia e adorámos (apesar de não sermos grandes adeptos), jantámos fora no nosso dia e divertimo-nos imenso nas tarefas do dia-a-dia, como cozinhar e lavar roupa. Fomos juntos ao nosso primeiro bailarico e terminámos aquela noite a ver um maravilhoso fogo-de-artifício na praia.

Dias que passam

Sofia
28
Jul20

Acordei um pouco cansada por culpa minha. Agora, deu-me para não conseguir adormecer facilmente. Não são preocupações, não é calor a mais, não é falta de cansaço. Sou eu. Ter ido de férias e ter criado um blog fez-me bem, porque acabo por me distrair mais. No entanto, talvez por estar ainda a habituar-me a estar mais distraída e despreocupada, dou comigo tão bem-disposta que não consigo adormecer. Antes não dormia tão bem porque me preocupava demais. Saía do trabalho e não conseguia desligar-me facilmente. O teletrabalho é bom, mas, quando passamos a maior parte do tempo fechados em casa, falta-nos alguma acção que nos permita trocar o chip. Tenho usado agora o blog como escape, mas ainda estou a tentar organizar-me e encontrar o equilíbrio.

Há não muito tempo, quando precisava de desligar, ia a pé do trabalho até ao Rossio. Pelo caminho via pessoas a sair do trabalho, como eu; via turistas a passear; via pessoas a caminho do ginásio (antes da pandemia me trocar as voltas, pensava voltar a ser outra vez uma dessas pessoas que saía do trabalho e ia para o ginásio - fazia-me bem); via pessoas nas esplanadas; via alguém na sua secretária no primeiro andar de uma ourivesaria e pensava no que aquela pessoa estaria a pensar naquele momento; via pessoas a ver as montras da Avenida da Liberdade (eu também, se bem que, no meu caso, eu não visse as montras - eu olhava-as sorrateiramente para não me enamorar - ainda me lembro de ter andado a namorar um cardigan azul escuro da Pinko...); via pombos; via árvores... Às vezes andava rápido demais, porque, quando vou sozinha, tenho a mania de andar rápido, mesmo quando tento andar devagar. Mesmo assim, eu passava pela cidade e guardava as suas pequenas vidas na minha algibeira. Guardava tudo e sentia-me plena enquanto caminhava e o ar frio me batia nas faces.

Do que mais gosto são os dias em que o ar frio nos bate na cara. Por isso, adoro os começos e fins de dia. A realidade está toda concentrada naquela sensação do ar frio a bater-nos no rosto. Quando hoje acordei e me levantei, abri os estores e esta sensação de que tanto gosto estava lá. Sentia o corpo cansado de ter dormido pouco, contudo arranjei forças para agarrar o dia assim que olhei para a rua a partir da minha janela. Abri a janela da sala para o ar entrar, peguei na minha caneca de café e liguei o meu computador para organizar algumas coisas antes de ir trabalhar. Sempre que ligo o meu computador sou transportada para Manchester, pois o meu ecrã de bloqueio é uma fotografia de Salford Quays. Mais uma vez, senti o ar frio bater-me na cara. Em Manchester, senti-o como nunca antes o tinha sentido, em conjunto com pequenos flocos de neve.

Aconcheguei-me nos meus pensamentos e, pouco a pouco, fui-me preparando para mais um dia.

 

Salford Quays, Manchester

Salford Quays, Manchester

Foto: Ana Sofia Alves

Lembrar, sempre

Sofia
25
Jul20

Secos e Molhados - Rosa de Hiroshima

 

Durante os últimos dias das minhas férias, como tinha um código que me oferecia um mês da HBO Portugal, aproveitei para ver a mini-série Chernobyl. Achei-a interessante porque humaniza a História, conta-nos histórias da História. Sem se tornar maçuda, a série consegue contextualizar-nos dentro da História e da Ciência, ao mesmo tempo que nos dá lições para o presente e futuro. Para mim, é essencial manter a História viva para que não nos esqueçamos do bom e do mau e possamos evitar que o mau se repita.

Há 10 anos tive a oportunidade de participar num programa de intercâmbio no Japão. Estive na província de Nagasaki e, de entre as várias coisas que vi, impressionaram-me as casas soterradas pelas erupções vulcânicas do Monte Unzen e o Museu da Bomba Atómica de Nagasaki. Nos dois casos, senti um enorme respeito por quem perdeu a vida em situações extremas e temor pelo desconhecido que nos pode abalar de um momento para o outro, embora os contextos sejam diferentes (diferentes também do caso retratado na série, bem sei). Em ambos os casos, existe uma homenagem às vítimas, mas, no segundo caso, procurou-se ir mais longe e criar um museu em que cada visitante pudesse parar no tempo, reflectir e sair com a ideia de que algo assim não pode voltar a acontecer. Saí de lá esgotada, sem palavras, mas recomendo a visita a quem for a Nagasaki. Na memória ficaram-me imagens de pequenos objectos que sobreviveram ao desastre, de estilhaços, de relógios parados na hora em que tudo aconteceu, de vidas que se perderam e outras que nunca mais foram as mesmas. Junto ao museu, no Parque da Paz, há uma estátua que pretende lembrar-nos do caminho a seguir. Conforme alguns estudantes me explicaram naquele dia, a mão apontada para o céu pretende lembrar-nos da bomba atómica, enquanto a mão estendida pretende simbolizar a paz.

Estátua da Paz, Nagasaki

Foto: Ana Sofia Alves

Fim de férias e algumas considerações

Sofia
11
Jul20

As férias estão a chegar ao fim e, ao contrário dos outros anos em que sentia um pequeno entusiasmo por voltar ao trabalho, este ano não me sinto motivada. O regresso é mais suave por estar em teletrabalho, mas o teletrabalho, apesar das suas várias vantagens que permitem optimizar o tempo e aproveitar melhor a vida familiar, parece retirar-me um pouco da essência do regresso ao trabalho. Ainda assim, sinto-me grata por estar em teletrabalho e sobretudo por ter trabalho. Quando vejo o noticiário e me deparo com tudo o que se passa, tenho de me sentir grata por aquilo que tenho. Esta gratidão não me faz sentir menos as preocupações e o peso dos dias, mas permite-me manter o equilíbrio e saber que nem tudo é mau.

Apesar de estas férias terem sido feitas num contexto diferente que gostaríamos que não existisse, foram boas, quase excelentes. Tive a sorte de estar alguns dias na Costa Vicentina em casa de familiares e poder aproveitar o bom tempo para apanhar banhos de sol no terreno. Ainda consegui fazer duas caminhadas pelas redondezas que aliviaram as minhas pernas entorpecidas. Apesar de todos os cuidados que tive em colocar sempre o protector solar (factor 50), não estar ao sol nas horas de maior calor e usar chapéu, não consegui escapar a um pequeno escaldão na parte superior dos braços. Pensava que este ano fosse diferente, mas, pelo aspecto irregular do escaldão, faltaram-me dois dedos de creme para ter escapado às queimaduras. Mais atenção, Ana Sofia!

 

 

Os dias na Costa Vicentina foram revigorantes porque, desde que a pandemia nos confinou, mal saio de casa e, quando saio, como vivo numa zona movimentada, uso máscara mesmo ao ar livre. Poder estar ao ar livre no terreno, sem máscara, sem preocupações e a ouvir apenas as rolas e outros pássaros foi o suficiente para me dar fôlego para a segunda metade do ano. Por viver numa zona movimentada, não é possível descansar da mesma maneira. Por isso, digo às vezes ao meu namorado que um dia nos devíamos mudar para uma zona rural. Vontade não falta, mas as oportunidades de emprego não são as mesmas, pelo que, a haver mudança, terá de ser tudo bem planeado.

Quero acreditar que o teletrabalho será mais aproveitado no futuro e que isso permitirá investir no interior. Todavia, para que isto aconteça, será necessário investimento nas telecomunicações. Por ter passado quase dois anos a vender serviços de telecomunicações de todas as operadoras, apercebi-me das assimetrias existentes entre o litoral e o interior ainda antes de a pandemia as tornar um tema de conversa. Infelizmente, é um tema falado em momentos de pesar, como são os incêndios e como o é agora esta pandemia, mas é preciso que o tema continue a ser discutido mesmo depois das tempestades. É preciso continuar a expandir e melhorar as redes para que quem esteja em determinadas zonas não se veja totalmente isolado. Quem diz redes de telecomunicações, diz também outras redes, pois é preciso garantir condições essenciais para que as populações possam viver com maior autonomia e segurança.