Lá em baixo ainda anda gente Apesar de ser tão noite Há quem tema a madrugada E no escuro se afoite Há quem durma tão cansado Nem um beijo os estremece De manhã acordarão Para o que não lhes apetece E há quem imite os lobos Embora imitando gente Há quem lute e ao lutar Veja o mundo a andar para a frente
Lá em baixo ainda anda gente Apesar de ser tão tarde Há quem cresça no escuro E do dia se resguarde Há quem corra sem ter braços Para os braços que os aceitam E seus braços juntos crescem E entrelaçados se deitam E a manhã traz outros braços Também juntos de outra forma De quem luta e ao lutar A si mesmo se transforma
E tu Maria diz-me onde andas tu Qual de nós faltou hoje ao rendez-vous Qual de nós viu a noite Até ser já quase de dia É tarde, Maria Toda a gente passou horas Em que andou desencontrado Como à espera do comboio Na paragem do autocarro
Lá em baixo ainda há quem passe E um sonho que anda à solta Vem bater à minha porta Diz a senha da revolta Vou plantá-lo e pô-lo ao sol Até que se recomponha É um sonho que acordado Vale bem quem ele sonha Lá em baixo, até já disse Que é que tem a ver comigo E no entanto sobressalto Se me batem ao postigo
E tu Maria diz-me onde andas tu Qual de nós faltou hoje ao rendez-vous Qual de nós viu a noite Até ser já quase de dia É tarde, Maria Toda a gente passou horas Em que andou desencontrado Como à espera do comboio Na paragem do autocarro
Lá em baixo ainda anda gente E uma cara conhecida Vai abrindo no escuro Uma luz como uma ferida Como a luz que corre atrás Da corrida de um cometa E vejo vales e valados No sopé duma valeta Lá em baixo ainda anda gente E uma cara conhecida Vai ateando noite fora Um incêndio na avenida
És tu Maria, eu sei, já sei, és tu Qual de nós faltou hoje ao rendez-vous Qual de nós viu a noite Até ser já quase de dia É tarde, Maria Toda a gente passou horas Em que andou desencontrado Como à espera do comboio Na paragem do autocarro.
Apareceu ontem uma notícia a dizer que o baixista dos SOAD adora Portugal. O meu pensamento imediato e de outros fãs: chama lá o resto da banda para virem cá dar um concerto.
Não páro de me lembrar dos concertos maravilhosos que vi no ano passado, talvez para não ficar muito chateada por não estar com sorte este ano (as fotos de amigos e conhecidos ou as notícias não param de me lembrar que não pude ir a nenhum dia do Evil Live).
O que me chateia mais é perder o concerto dos Iron Maiden. Quando comprei o bilhete pensei "É desta, finalmente!" A vida sabe bem trocar-nos as voltas e é por isso que aprendi a não dar nada por garantido.
Vou recordando os concertos do ano passado e penso "não me posso queixar". Celebrei o meu aniversário num concerto dos Depeche Mode, uma das bandas que ainda não tinha visto ao vivo, mas que estava na minha lista de desejos. Fantásticos como esperava! O carisma do Dave é hipnótico.
Chegados a Junho, aquilo que começou por ser uma brincadeira ganhou forma e tornou-se real. De repente, estávamos em Marselha para assistir ao concerto dos Rammstein. Já os tínhamos visto no Estádio da Luz no ano anterior, mas o concerto em Marselha foi ainda melhor. O Till estava mais solto e o público francês também é fantástico. Desta vez fiquei nas grades do palco secundário onde tocaram a Engel. Memórias que espero não perder.
Já em Outubro, foi a vez de ver o Nick Cave, dono de um grande vozeirão. Foi um dia estranho. Havia jogo do Benfica e eu e o meu namorado não queríamos deixar de ir ao jogo. Estávamos com algumas dúvidas e no fim decidimos ir à primeira parte do jogo e sair depois para o concerto. Foi uma época de dissabores, mas neste dia foi um bom jogo e, quando saímos, já estávamos à frente no marcador. Ao chegar ao concerto, apercebemo-nos de que mais benfiquistas fãs de Nick Cave tinham tido a mesma ideia que nós. Por termos chegado no fim da banda de abertura, já não conseguimos um bom lugar à frente. Optámos por aproveitar o concerto de um modo diferente do habitual - comemos e bebemos alguma coisa antes do concerto começar e ficámos muito mais longe do palco do que habitualmente ficamos, mas tínhamos uma boa visão pois não estávamos num amontoado de gente. Foi um concerto lindo que me emocionou. O pior foi mesmo acordar cedo no dia seguinte para ir trabalhar. A música transportou-me para um sonho e eu já só queria ali continuar.