Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

Gramofone #17

Sofia
28
Set25

KISS - I Was Made For Lovin' You

 

Porque segundo o Spotify, os meus Domingos são de "classic rock supernatural":

Here's some classic rock, supernatural, 70s vibe, big hair, golden oldies, tailgate — inspired by your listening on Sundays in the afternoon 

Marselha 2024 - parte 1

Sofia
15
Jul25

Foi em Junho de 2024 que, num fim-de-semana grande, fomos a Marselha.

Tudo começou em Novembro quando, num jantar de aniversário, um colega meu deu a ideia de irmos ver Rammstein ao estrangeiro, já que em 2024 não viriam a Portugal. A ideia ficou ali na minha cabeça como uma semente que precisa de tempo para germinar. A ideia agradou-nos e, mesmo sozinhos, levámo-la avante.

Nunca tínhamos ido a um concerto no estrangeiro, mas pareceu-nos uma excelente ideia combinar a música com a vontade de viajar.

Mochilas às costas e com as t-shirts dos Rammstein vestidas, partimos à descoberta de Marselha, uma cidade mediterrânea que nos proporcionou bons momentos.

É verdade, Marselha tem uma má reputação. É uma cidade com problemas de criminalidade e é bom saber por onde andar e, se necessário, estar vigilante - nunca é demais. O som das sirenes é constante e algumas partes são sujas. Ainda assim, isso não me impediu de aproveitar a viagem e gostar da cidade. Viver a vida toda na linha de Sintra talvez me tenha preparado para a viagem... Antes não fosse verdade, mas é. Sujidade vejo eu todos os dias assim que saio de casa e as sirenes são uma constante também. Tenho sorte de não ter ido a pé para o trabalho com o caminho coberto por um rasto de sangue largado por um homem que morreu, como aconteceu com o meu namorado. Ao viajar gosto de deixar as coisas desagradáveis no sítio delas, mas, em Marselha, fui obrigada a lembrar-me delas. E o mais estranho? Achei Marselha mais limpa que a minha cidade... Marselha, a cidade que todos me diziam ser bastante suja.

20240609_094516_2.png

Assim que chegámos ao centro, tentámos ambientar-nos. A avenida estava em obras e percebemos que ali iríamos encontrar alguma sujidade. Fomos comer algo rápido e organizar melhor o nosso dia. Fomos sem grande planos - uma pequena lista de sítios por onde gostaríamos de andar e o resto seria uma descoberta.

Bebemos um café e ficámos agradavelmente surpreendidos. Está-nos no sangue beber um café, uma bica, um cheio... O primeiro foi a medo e foi uma agradável surpresa. O segundo foi um tira-teimas e os seguintes já foram sem medo - desfrutámos de cada momento. Bebi imenso café em Marselha. Que bom poder ter algo tão meu fora de casa! Disseram-me que tive sorte, que em França os cafés não costumam ser bons. Não achei sorte, achei que em Marselha a cultura do café é levada a sério, ao contrário do que possivelmente acontece noutras zonas.

Não vimos muita coisa no primeiro dia, porque era o dia do concerto dos Rammstein no Stade Orange Vélodrome. Excelente organização! Achei tudo bastante organizado. Até chegarmos à fila da nossa porta, havia imensos sacos de lixo colocados em barreiras e que todos iam usando - não vi imenso lixo no chão antes ou depois do concerto. Este tipo de organização teria sido benéfico, por exemplo, no concerto que a Taylor Swift deu no Estádio da Luz. Nesse dia, fui ver um jogo de basquetebol ao pavilhão e, ainda nem o concerto tinha começado, já o caminho estava cheio de latas de kombucha que já não cabiam mais nos caixotes a abarrotar.

Já no estádio, que é bastante bonito, conseguimos um lugar junto às grades do segundo palco. Ao nosso lado havia outros turistas, alemães. Na minha ingenuidade fui tirar uma foto com a opção de levantar a mão e o meu namorado teve de me alertar que estava a assustar os vizinhos alemães... Quem inventou a função de tirar selfies com o telemóvel levantando a palma da mão não devia ser alemão.

O concerto foi ainda melhor do que o concerto de 2023 no Estádio da Luz. O público francês também é um público brutal e a banda estava ainda mais à vontade - talvez pelo desfecho dos casos envolvendo o vocalista. Saímos do concerto e a avenida tinha imensa gente, alguns saídos do concerto e outros a aproveitar a noite de Sábado. Estava um ambiente agradável e, mesmo sendo tarde, sentimos que poderíamos continuar o caminho a pé até ao hotel. Pelo caminho havia alguns bares e padarias. Estávamos com fome e parámos numa padaria para comprar uma fatia de pizza para cada um. Era pequena, mas acolhedora e pronta para aviar rapidamente quem ia passando. Podia dizer: visitem este museu, visitem aquele sítio, comprem isto, comam ali... Não o faço e tenho consciência de que não tenho grande jeito para falar de viagens. Falo de viagens para falar de memórias. Sinto que o mais sincerto que posso dizer é: façam algo inesperado, surpreendam-se, vivam, criem memórias. Se o inesperado for encontrar uma padaria aberta depois da meia-noite e irem lá comprar algo para comer em andamento pela avenida com as estrelas como cúmplices, porque não? No fim, são estas memórias que mais calor nos trazem.

Continua...

Houve um tempo em que as flores eram só flores

Sofia
07
Jul25

Houve um tempo em que as flores eram só flores.

Os rios eram só rios.

Tudo era uma paisagem bela, mas distante.

Hoje, as flores e os rios fazem parte de mim

e eu faço parte deles também.

Whitman lembra-me:

"Cada átomo que me constitui é também pertença tua."*

 

Quando o meu tempo se fizer pó,

quero que leiam poesia e se lembrem

que ainda estarei nesses fragmentos de luz,

nas flores e nos rios, em todo o lado.

 

Ana Sofia Alves

7 de Julho de 2025

 

 

* Whitman, Walt. "Canto de Mim Mesmo" (tradução de João Moita)

 

Sinto-me em paz, como se os meus pés beijassem o chão. Curiosamente, foi isso que, hoje, a fisioterapeuta me disse para começar a fazer com a perna operada.

 

Ney Matogrosso - Balada do Louco

Pensamento do dia #18

Sofia
06
Jul25

O calendário do telemóvel diz-me que hoje é o concerto dos Iron Maiden. Não precisava de me dizer. Devia ter removido a nota do calendário assim que soube que já não iria ao concerto...

Hoje não há grandes pensamentos. Vou-me encher de música, essa 8ª maravilha! Mas Iron Maiden não deverá tocar hoje aqui por casa. Também tenho direito a ter mau feitio