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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

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um mundo num grão de areia

Pensamento do dia #17

Sofia
05
Jul25

A_Persistência_da_Memória.jpg

A Persistência da Memória, Salvador Dalí

(imagem: Wikipedia)

 

A única vez em que me lembro de ter sentido medo de morrer foi a meio da noite, quando, há poucos anos, acordei com um ataque de pânico.

Não me lembro de ter sonhado nem me lembro de andar às voltas na cama. Lembro-me de acordar, sem aviso, com o coração a sair do peito ou da boca, completamente acelerado, e uma sensação de falta de ar que nunca tinha sentido.

Nunca tinha sentido algo assim, o corpo incontrolado e a querer levar-me sabe-se lá para onde. Senti que era um alerta grave, mas levantei-me e fiz por chegar à casa-de-banho. Comecei a sentir imensas tonturas, fraqueza e, pouco depois, imensos suores frios. Pensei que estava a ter um ataque cardíaco, que só podia ser isso, pois nunca tinha sentido algo assim tão forte. Não conseguia pensar direito e chamei pelo meu namorado que, adormecido, não percebeu nada do que se passava e me disse para molhar a cara. Tentei respirar fundo e molhar a cara. Não foi fácil, mas, como o problema não era fatal, embora o parecesse, foi possível voltar a mim.

A sensação de tempo, neste episódio, é estranha. Creio que foi tudo muito rápido e, ao mesmo tempo, bastante lento. Sei que tive medo de morrer e que me queria agarrar à vida.

Não foi nada, mas ficou-me na memória. Não se repetiu, mas a persistência da memória serve para lembrar os momentos e recordar-me de que é bom querermos agarrar a vida, mesmo no meio do absurdo. Temos esta capacidade louca de agarrar a vida, reconstruir e adaptar. Espanta-me sempre essa capacidade do ser humano que, mesmo em adversidades, tem esta capacidade louca de se reconstruir de corpo e alma.

Na época estava a trabalhar imenso e as enxaquecas eram frequentes e fortes. As enxaquecas não desapareceram e, mesmo depois da mudança de trabalho, tive alguns episódios em que tive de mergulhar no silêncio e escuridão do quarto e suportar os vómitos. (Talvez seja a náusea pela monotonia.) Gostava de pensar como a médica que me atendeu um dia: "Enxaquecas vai ter sempre: é ter a medicação à mão." Fosse tudo simples como esta frase.

Prefiro antes as palavras de Miguel Torga* e agarrar-me à persistência das memórias e à minha loucura:

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...

 

* poema "Sísifo"

Pensamento do dia #14 (devaneios e memórias soltas)

Sofia
02
Jul25

A memória é uma coisa tramada...

Não me quero gabar, até porque não vejo isso como um grande feito e momentos há em que mais parece uma maldição, mas tenho uma grande memória.

Na escola era a memória fotográfica que me fazia recordar as páginas do caderno e dos livros e saber quase automaticamente a matéria de que precisava para responder à questão do teste.

No dia-a-dia, recordo-me imenso dos meus sonhos e pesadelos e não sei se é normal lembrar-me de coisas que sonhei com 10 anos ou ter momentos em que a minha cabeça me faz recordar um sonho qualquer que uma vez tive e julguei ficar esquecido. Acreditem, parece mesmo uma maldição porque tenho sonhos muito estranhos. Houve uma altura em que sonhava insistentemente com tsunamis. Era assustador! O último dos sonhos com tsunamis (se a memória não me falha - apesar de muito boa, também acontece) foi menos assustador porque eu já sabia tudo o que tinha de fazer e estava a liderar um grupo de pessoas. Nesse sonhos, escapámos todos ao ir para o ponto mais alto da cidade, onde estava uma igreja. Espero não ter de aplicar na prática estes simulacros da noite.

O mais estranho tsunami com que sonhei foi um tsunami com televisores no meio das ondas - tentei encontrar uma explicação e convenci-me de que era por ter começado a trabalhar na linha de apoio ao cliente de uma empresa de venda de electrodomésticos. A minha mente já estava tão farta de televisores de X, Y, Z polegadas... Na realidade, esse trabalho não começou nada bem. Primeiro porque acabei a fazer uma coisa para a qual não me tinha candidatado - fui excluída de um processo sem poder mostrar o que valia. Depois, foi a pior linha de apoio ao cliente em que trabalhei - as chamadas não paravam e os clientes, por causa dos electrodomésticos, transformavam-se em autênticos mafarricos. Num mês senti-me sugada e parecia um martírio levantar-me para ir trabalhar. Um dia auditaram-me uma chamada e escreveram que a assistente não tinha um sorriso na voz, parecia triste em chamada. Era tão verdade... Decidi abandonar a formação no dia em que ia assinar contrato e não querer saber do dinheiro que ia perder. Voltei a dar ar de maluca aos olhos dos outros, como já me aconteceu noutras situações. Como precisavam de alguém para ajudar na área de backoffice da equipa de vendas de telecomunicações e como eu tinha experiência em telecomunicações e backoffice, não precisei de desistir. Foi uma lufada de ar fresco e, mesmo não sendo uma mudança imediata, consegui aguentar aquela linha de apoio até sair de lá de vez. Quando dei por mim, fiquei praticamente sem colegas na equipa de vendas e proactivamente comecei a contactar os clientes que pediam contactos. Não nasci para ser vendedora, mas gostei imenso de o ter feito porque não estava a impingir serviços a ninguém - os clientes é que queriam ser esclarecidos e até fazer uma adesão. Acho que tive alguma sorte, pois pude fazer aquilo que acho que deve ser feito numa venda - esclarecer e ajudar, sem subterfúgios. O destino e a minha força (que eu pensava que tinha sido sugada), encarregaram-se de me fazer ver que sou capaz de mais. Quando fui excluída de um processo sem poder mostrar o que valia, a desistência de algumas pessoas e a minha falta de experiência em vendas foi o que levou à tomada da decisão. Se só precisavam de 3, não valia a pena começarem com 4. Faz sentido, mas foi um soco no estômago. Levei talvez um pouco demasiado a sério a situação, pois disse a mim mesma que iria ganhar experiência em vendas se a oportunidade surgisse - apenas para provar a mim mesma que também sou capaz, sem precisar de provar nada a ninguém.

Recordo-me de tantas coisas, mas continuo a não me recordar de certas coisas da minha adolescência. Acho que fiz por esquecer alguns anos e o sabor dos livros nas minhas mãos são as maiores recordações que tenho, porque eram o meu refúgio, o meu templo, como disse no post anterior. Não me esqueço também do grupo de teatro da escola e da professora Maria Clara que me marcou profundamente. E da professora Maria José das aulas de Francês. Na realidade lembro-me de muitas pessoas e nomes. Também não sei se é muito normal. Já cheguei a fingir não me lembrar de tantas coisas, de tantos detalhes, porque parece-me uma ligeira aberração e não quero assustar os outros. Por exemplo, há uns meses atendi um cliente no meu trabalho e reconheci a cara e o nome - era filho da pessoa que nos tinha vendido a casa. Só tinha visto o rapaz no dia da escritura e provavelmente só ouvi o nome dele uma vez, mas reconheci-o.

Na minha estante tenho uma edição do Cândido ou O Optimismo de Voltaire. Na primeira página está escrita uma dedicatória dos professores de Francês por ter ganho um concurso de tradução, mas eu não me lembro de ter participado em nada. Recordo-me de que, numa aula, a professora anunciou o resultado e deu-me este livro como primeiro prémio. Um outro colega recebeu outro livro por ter ficado em 2º lugar. Ainda assim, eu não me lembro do raio da tradução que fiz! Quero acreditar que participámos no concurso através de algum exercício feito em aula. Talvez, num momento de desatenção, me tenha escapado o pormenor de estar a participar num concurso de tradução... Fica difícil de imaginar porque eu estava sempre muito atenta. A minha capacidade de atenção era tão boa que ficava muitas vezes ao lado do aluno mais problemático. Mesmo com um colega de carteira falador e que gostava de me mostrar as ganzas que tinha no bolso para fumar, a minha atenção à aula não se perdia, nem sei bem como. As memórias, algumas perderam-se, mas ficam detalhes de coisas simples, como o colega falador, os livros que eu pousava na mesa para ler antes da aula começar, as noites de insónias porque não conseguia desligar do sentimento de incompreensão...

Não me recordo do concurso de tradução, mas recordo-me do concurso de escrita em que participei e ainda tenho o diploma guardado. Lembro-me do texto que escrevi e tenho pena de o ter rasgado e apagado num dos meus muitos momentos de dúvida. O texto começava assim: Comia uma maçã enquanto pensava na fragilidade da vida e em como gostaria de ser a Branca de Neve. Lembro-me vagamente do que tinha escrito. Veludo, era veludo! Já próximo do fim, aparecia alguém a bater à porta - era a vizinha que vinha pedir um niquinho de sal para fazer o jantar. Não me recordo se os dois amantes a ouviam ou não. Gostei do que tinha escrito, mas cometi o erro de apagar tudo numa das vezes em que disse a mim mesma que não voltaria a escrever. Que melodramática! O texto valeu-me o 1º lugar e uma amiga minha da época ficou em 2º ou 3º lugar. Fui receber o prémio, mas sempre fui tímida e sem jeito para lidar com pessoas. Naquele tempo ainda era pior. Aquela exposição era ensurdecedora e eu não ouvia nada, a não ser o meu nome a ser chamado. Deram-me os parabéns e um diploma. Olhei para o diploma e fiquei com cara de enterro, umas valentes trombas possivelmente registadas numa fotografia dos vencedores. Nisto, a minha amiga diz-me algo como "Parabéns! 1º lugar, muito bem!" Olhei de novo para o diploma e aquilo que me tinha parecido um 3 era, afinal, um 1. Senti-me estúpida pela cara de enterro, mas ainda fui a tempo de saborear um pouco aquele momento e sorrir. É impossível não me rir desta situação. Já se passaram tantos anos que isto passou a ter imensa piada.

Há páginas que não devo conseguir recuperar. Quero agora gravar ao máximo as minhas novas memórias, inscrevê-las na pele e, acima de tudo, lembrar-me de que a escrita faz parte do que sou e que não a posso negar.

Pensamento do Dia #10

Sofia
31
Jul21

Não sei se me quero casar num vestido comprido até aos pés ou até num típico vestido de noiva branco. Não acho piada à ideia da noiva se andar a preocupar com a escolha de um par de sapatos para depois andarem escondidos por baixo do vestido... Por outro lado, chateia-me um pouco pensar em comprar um vestido para só o usar no meu casamento. É verdade que já me aconteceu comprar um vestido que só usei uma vez e que isso nem me chateou. Há amores assim, à primeira vista. Chateou-me mais quando no auge da minha adolescência decidi comprar um vestido de veludo preto e roxo de estilo medieval e fiquei muito infeliz quando percebi que a minha escolha arrojada não seria apropriada para o dia-a-dia. Por muita coragem que tivesse para ir para a escola de botas de biqueira de aço e pulseiras com picos e correntes, não tinha coragem para usar o vestido... Usei-o duas vezes. Era Carnaval. Segundo a minha mãe, cheguei a casa chateada e disse que ninguém me percebida porque julgavam que aquilo era uma máscara. Os dramas dos adolescentes! Agora subi de nível, já estou no nível dos dramas das noivas. Já ouvi dizer que a escolha do vestido também funciona como uma espécie de amor à primeira vista, mas há uma parte de mim que não está a aceitar bem a ideia de vir a ter o meu vestido de casamento guardado com muita estima no meu guarda-vestidos. Conhecendo-me como me conheço, se gostar assim tanto do vestido, vou querer usá-lo até à exaustão, até que vire um lindo farrapo para o qual vou olhar e pensar "Fizeste-me muito feliz! Tenho tantas memórias! Foram tantos dias especiais em que estiveste presente! Vais ser sempre recordado como O vestido! Um de muitos, é certo, mas fazes parte dos eleitos que escolhi para me acompanharem em grandes momentos."

Visita à Tapada de Mafra

Sofia
31
Jul21

Estar noiva deixa-me com os nervos à flor da pele, mesmo que tenhamos decidido casar só daqui a uns dois anos. Dois anos não são nada numa altura em que parece que o tempo corre mais rápido, apesar de sentirmos que os nossos dias estão mais vazios do que dantes. Já saímos mais de casa, mas com o teletrabalho nunca se sai tanto como se saía e os dias tornam-se muito repetitivos. Embora o teletrabalho dê muito jeito e seja melhor em alguns aspectos, sair para trabalhar também tinha coisas boas. Os transportes públicos eram uma chatice, mas continuava a adorar comboios. Sempre me senti fascinada pelos comboios e gostava de um dia fazer uma grande viagem de comboio! Claro que no dia-a-dia os comboios têm alguns problemas que nos fazem rogar algumas pragas... Ainda assim, sair para trabalhar era estar mais exposta ao imprevisto e acho isso fascinante. O imprevisto tanto pode ser bom como mau, mas enche-nos os dias. Não é molhar o pezinho na água para ver se está fria, é mergulhar e depois sentir o frio.

 

Há uns tempos estivemos de férias e decidimos ir a Mafra no fim-de-semana. A pandemia apareceu e eu tinha um voucher do Odisseias por usar e já quase a expirar... Lá ganhámos coragem para passar uma noite fora de casa. Fez-nos bem. Soube a pouco e ao mesmo tempo foi muito. Precisávamos de uma lufada de ar fresco. Lufada? Qual lufada! Nós precisávamos de uma verdadeira ventania! Como não quisemos ir para muito longe, Mafra pareceu-nos uma boa opção porque poderíamos visitar a Tapada de Mafra. Já lá tínhamos estado em visitas de estudo, mas nenhum dos dois trouxe grandes memórias de lá porque as visitas pela escola não são feitas do mesmo modo que as visitas que fazemos por vontade própria.

Devido à pandemia, a Tapada de Mafra tem vários horários para os seus percursos e os bilhetes estão disponíveis para compra através do site. Foi fácil escolher um percurso e programar a nossa visita. Escolhemos o percurso verde. Fez-me bem percorrer aqueles 8 km em sossego (e com algum cansaço inicial por já não estar habituada e pelo facto de o percurso iniciar com uma subida). Se tínhamos dúvidas se iríamos conseguir ver javalis e gamos, as dúvidas foram dissipadas logo no início do percurso quando encontrámos uma mamã javali com as suas crias.

Como recordação da nossa visita à Tapada de Mafra trouxe um peluche de um javali. Não é tão bonito como os verdadeiros, mas serve-me de consolo. Quando era criança, queria muito um peluche de um javali por causa do filme d'O Rei Leão. Eu e a minha irmã dizíamos que éramos o Timon e o Pumba (por causa da magreza e pequenez da minha irmã e do meu peso um pouco excessivo) e queríamos muito ter uns peluches da dupla, mas nunca conseguimos encontrar um peluche do Pumba. A minha mãe foi connosco ao Colombo e procurámos insistentemente, mas sem sucesso, um peluche para a nossa colecção. Na altura, ir ao Colombo pareceu-nos uma coisa muito futurista. Nunca tínhamos visto um sítio tão grande e acreditávamos que por ser algo tão grande e recente iria ter o que procurávamos, porque uma coisa assim estava além da nossa imaginação da realidade. Como sabemos, a imaginação das crianças estende-se até ao infinito e mais além! (Já que estamos a falar da Disney e das recordações da minha infância, achei que esta frase ficava bem aqui. ) Uma imaginação tão grande proporciona-nos às vezes alguns dissabores, pois a realidade fica aquém daquilo que imaginamos. A ida ao Colombo para procurar um peluche do Pumba serviu-me de lição. Aprende-se desde pequeno que a realidade não é o que queremos ou o que parece. Depois há aqueles casos em que a realidade é mesmo bela e supera a imaginação, como os javalis e os gamos que vi ou as montanhas, vales, praias e outras formações maravilhosas que encontramos pelo mundo fora. Isso vale a pena e dá-nos fôlego!

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Um poema para cada mês - Fevereiro 2021

Sofia
02
Jan21

Fevereiro... O mês dos apaixonados... Mas, para quem está apaixonado, todos os meses são meses de paixão. Pegando nesta pequena ideia, porque precisava de algum tema para tornar o processo de escolha mais simples, decidi que iria partilhar um poema sobre o amor/paixão. Mesmo assim, não foi uma tarefa fácil. Afinal, este é um tema amplamente explorado e que faz o mundo girar.

Coloquei logo de parte o Romeu e Julieta, porque, apesar da escrita, na minha memória, associo-o sempre à paixão irracional que nos impede de sermos livres e nos traz sofrimento. Na minha opinião, não é o melhor exemplo para se falar da beleza do amor, ainda que seja um símbolo universal. Quanto à paixão, prefiro algo mais simples.

Pensei, então, em belos poemas sobre o amor e também sobre o desejo e, dentro de mim, destacou-se logo o nome de um poeta (na realidade é um pseudónimo): Eugénio de Andrade. Descobri-o nas aulas de Português quando tinha 15 anos e senti-me logo ligada às suas palavras. A idade trouxe-me a capacidade de as compreender melhor e os seus poemas ganharam um novo sabor. Tornou-se um dos meus poetas de eleição, apesar de ainda ter muito para ler e descobrir (como ainda não o tenho na minha estante, a antologia poética editada há poucos anos pela Assírio & Alvim, Poesia, é uma excelente prenda... pode ser em ebook, já que não sou esquisita e recebi um Kobo no Natal). Julgava que a minha busca por um poema simples sobre o amor ficaria por aqui. Parecia-me bem começar já a incluir poemas na nossa bela língua portuguesa, uma vez que comecei estas partilhas com um poema em inglês, ainda assim acabei por não me decidir. Na minha cabeça tilintavam as palavras de e. e. cummings nas quais pensei inicialmente... Contudo, queria algo mais simples que, nessa simplicidade, guardasse todo um universo. Deste modo, após ler e reler vários poemas, lembrei-me do que procurava. Deixo-vos assim um poema simples e belo. É assim que quero o amor, simples e belo, mas imenso e capaz assumir várias formas.

 

¿Qué es poesía?, dices mientras clavas

en mi pupila tu pupila azul.

¡Que es poesía!, Y tú me lo preguntas?

Poesía... eres tú.

 

Gustavo Adolfo Bécquer