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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

Estática

Sofia
29
Nov25

Gostava que as minhas mãos fossem luz e as minhas palavras respirassem no teu ventre
Gostava que o universo que sou não estivesse preso à carne e ao sangue que me dão corpo
Fossem as asas reais, seria pó que viaja longe
Fosse eu pó, o meu corpo era uma praia e deitar-te-ias sobre ele
para que a areia te abraçasse enquanto as ondas te afagavam os pés já cheios de calor
Choro universos reclusos do tempo
Choro os corpos que se desgastam
Choro as chamas que procuram a destruição
E choro acima de tudo um coração pequeno que suporta o peso da vida
Hoje as lágrimas são momentos de estática por detrás da sinfonia da vida
A mesma frequência, a mesma insistência
Ao longe, há sempre um ruído que não cessa
A minha voz perde-se algures no corpo
Serei eu ruído também?

Ana Sofia Alves

28 de Novembro de 2025

Casa sem telhados

Sofia
12
Nov25

Escrevo-me num eco que se propaga desde o meu centro
Escrevo-me no escuro da noite e nessa batida do meu coração
Há uma casa sem telhados que serve de abrigo ao meu coração
Todos os dias, as veias erguem-se como um esqueleto
Todos os dias, a casa fica mais frágil
Todas as noites, murmuro nomes
Os ossos incham de tanto silêncio
O corpo transborda palavras vãs
Escrevo-me em pavios que queimam

 

Ana Sofia Alves

12 de Novembro de 2025

Tempestade

Sofia
08
Out25

Chora no meu peito o canto de uma ave
Na tempestade
onde as asas se moviam com o vento
o choro era chuva
As asas bateram com força contra o vento
Eram batidas secas
e cada uma sentida como um trovão
Quebraram-se os ossos
e dentro do peito ficou o canto
de uma ave ferida
Ficou uma ferida aberta ao mundo
Os ossos tornaram-se castelos
e as asas tornaram-se o vento

Ana Sofia Alves
8 de Outubro de 2025

Noite

Sofia
02
Set25

O meu nome arde na ponta dos meus dedos,

dedilhado como as cordas de uma guitarra.

Feridos os dedos, o nome queima a mão.

Sou febre que arde pelas memórias da noite

e poema que se esgota em jogos de dados.

Ou será um poema de dedos chamuscados?

Na ponta, ardem labaredas vermelhas

e a noite já não é tão densa.

 

Ana Sofia Alves

2 de Setembro de 2025