Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

Um poema para cada mês - Dezembro 2021

Sofia
01
Fev21

Chego ao fim deste desafio, mas acredito em recomeços, acredito que tudo vai e volta e que podemos sempre recomeçar se quisermos, porque isso é, para mim, do mais natural que há.

Tenho visto imensas partilhas deste poema nos últimos tempos, mas quando o conheci era uma adolescente que estava a aprender a recomeçar. Foi no teatro da escola que o conheci e, embora isto me pareça uma memória distante e estranha (às vezes custa-me acreditar que fui capaz de fazer parte de um grupo de teatro apesar da minha enorme timidez), é uma memória que está sempre próxima de mim e que guardo sempre com carinho.

Não se esqueçam de recomeçar. 

 

Sísifo

 

Recomeça....

 

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

 

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças...

 

Miguel Torga

Um poema para cada mês - Setembro 2021

Sofia
29
Jan21

Setembro é o mês do regresso às aulas e foi essa a ideia que me levou à procura de um poema. Não é um poema sobre a escola. Optei por recordar poetas que conheci enquanto estudante e que me trouxeram algo de novo e bom. Alguns já aqui tinham sido partilhados, por isso, tive de pensar noutros nomes. Lembrei-me das primeiras aulas de literatura na faculdade e a banda sonora que tenho estado a ouvir esta noite (Seu Jorge) levou-me até ao outro lado do oceano. Apesar dos estudos, tenho pena de não me ter dedicado a conhecer mais de Carlos Drummond de Andrade.

 

Quadrilha

 

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história.

 

Carlos Drummond de Andrade

Um poema para cada mês - Agosto 2021

Sofia
28
Jan21

Pensava que iria publicar isto ontem, mas o computador trocou-me as voltas e dei comigo irritada a tentar fazer o Teams funcionar... Vá-se lá saber porquê começo a abrir e fechar e, mesmo depois de o instalar, deixou de abrir... Aquele eterno loading... O problema ficou meio resolvido, porque consigo utilizá-lo online para trabalhar, mas continuo chateada com o Teams, o meu computador ou qualquer outra coisa que seja culpada.  Vou ficar cheia de rugas por coisas parvas!

Já mais calma, venho partilhar aquilo que prometi: um poema sobre o mar.   Não sei como será o próximo Verão. Espero que, apesar de tudo, possa ser melhor que o anterior. Se não pudermos desfrutar da praia, então que nos seja possível deliciarmo-nos com paisagens escritas.

Tenho um carinho enorme por esta antologia de poemas (Mar). Foi o primeiro livro de poesia que comprei. A verdade é que não sabia bem o que estava a comprar, mas senti uma vontade enorme de ter este livro e achei que, mesmo que nem tudo fizesse logo sentido, mais tarde as coisas iriam mudar e eu ia pegar naquele livro e lê-lo de outro modo e ficar muito feliz por o ter comprado. Comprei-o numa espécie de mini feira do livro na biblioteca da escola. Penso que estava no 5.º ano, no máximo no 6.º. Olhei para a capa (de que gosto muito - um verde marinho com ondas ao fundo) e vi que era um livro da Sophia de Mello Breyner. Só conhecia os contos que tinha lido na escola primária. Como gostei muito de tudo o que li da Sophia e quando era mais nova gostava muito de ler poemas no livro Novíssimas Flores Para Crianças, achei que seria uma boa escolha. E foi. Foi o primeiro livro de poesia que comprei.

 

Mar

 

De todos os cantos do mundo

Amo com um amor mais forte e mais profundo

Aquela praia extasiada e nua,

Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

Um poema para cada mês - Junho 2021

Sofia
24
Jan21

Espero que estejam a ter um bom Domingo e que se encontrem bem. Para quem ainda não votou, não se esqueçam e não tenham medo. (Até ao lavar dos cestos é vindima.) Pelo que tenho visto e comentado com quem conheço, as filas não estão impossíveis de aguentar e as coisas até estão organizadas. Confesso que ando com medo do bicho... Como o meu namorado hoje trabalhava, aproveitámos e fomos votar assim que as urnas abriram. Espero que o meu voto sirva para afastar certos bichos. Também ando com medo do vírus (já me bastou uma vez e tem sido terrível ver o aumento de casos), mas há outros vírus por aí que também são perigosos e com os quais também temos de ter cuidado.

Pensei não continuar com esta ideia de partilhar um poema para cada um dos meses deste novo ano (é que por este andar o ano já nem é novo), mas é importante também sabermos levar as coisas até ao fim. Não tenho aqui passado tanto como gostaria. Não posso prometer ser muito assídua aqui no blog e não sei se o mesmo não ficará ainda mais parado. A mudança de emprego tem corrido bem, mas agora o meu computador é também a minha ferramenta de trabalho e não tenho muita vontade de lhe pegar quando não estou a trabalhar. Espero que percebam. Há uns tempos ao deslocar-me de Uber para o trabalho, o motorista que me transportava comentou, ao falarmos sobre a questão do confinamento e teletrabalho, que quando não estava a trabalhar não lhe apetecia pegar no telemóvel e andar de carro, nem que fosse como pendura. Explicou-me logo que não era por não gostar do que fazia, mas porque era importante desligar. Percebi-o, claro. Agora faço praticamente o mesmo.

Não escolhi o poema de hoje por o associar ao mês de Junho ou à época do ano. Escolhi-o porque é urgente. É urgente, num momento como este, partilhar amor, partilhar alegrias, permanecer. Num dia como o de hoje, de eleições, é urgente lembrarmo-nos disto. Este é um dos meus poetas de coração.  Acho que li este poema pela primeira vez quanto tinha uns 9 anos. A minha mãe comprava-nos os livros da escola e, ainda antes das aulas começarem, eu começava logo a espreitá-los... Virava as páginas, lia algumas coisas e ficava cheia de vontade de começar as aulas para aprender todas aquelas coisas novas. Acho que este poema estava no meu livro de Português do 4.º ano. Como todos os seus poemas, este também ganhou outra profundidade com a idade. É tão bom envelhecer acompanhada de poesia tão bela como a do Eugénio de Andrade!

 

Urgentemente

 

É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.

 

É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.

 

Eugénio de Andrade

Um poema para cada mês - Maio 2021

Sofia
17
Jan21

O mês de Maio é, para mim, um mês especial, pois foi o mês em que comecei a namorar com o meu companheiro. Assim, não me alongando muito, escolhi um poema que já tinha pensado partilhar anteriormente e que acho fantástico pelas palavras e pela sua forma.

Este poeta foi uma bela descoberta numa aula de inglês da licenciatura  (Uma aula com o melhor professor de inglês que alguma vez tive... O conhecimento linguístico e as escolhas literárias utilizadas para o ensino faziam daquelas aulas algo bastante interessante e um pouco fora do comum...)

 

i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear;and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
                                                      i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you
 
here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart
 
i carry your heart(i carry it in my heart)
 
 
E. E. Cummings