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a world in a grain of sand

um mundo num grão de areia

a world in a grain of sand

Como é que aqui cheguei?

Sofia
16
Jul20

Faz hoje uma semana que criei este blog e nem me apresentei. 

Está bem, ninguém me obriga, mas fica bem... Acho que, como foi um regresso, entrei logo cheia de vontade de matar saudades deste mundo dos blogs e só quis escrever e escrever e escrever e escrever. Mesmo quando não sabia sobre o que escrever e pensava que só ia partilhar uma música, dei comigo de novo a escrever. Não posso prometer passar cá todos os dias, mas prometo que farei o meu melhor para que este seja um espaço simpático.

 

Ora, para quem não me conhece (certamente muitos), aqui fica a história resumida de como aqui cheguei.

Chamo-me Ana Sofia. Sofia para alguns, Ana para outros ou Ana Sofia para os restantes. Só não me tratem pelo apelido. Tenho 29 anos e tive o meu primeiro blog quando tinha uns 13/14 anos. Não sei porquê, o meu primeiro contacto com blogs foi através de sites brasileiros. O primeiro dos blogs foi uma desgraça de adolescente onde decidi partilhar imagens de tudo e mais alguma coisa de que gostava (mais valia ter criado um Fotolog, mas ainda não tinha tomado conhecimento da sua existência). Depois descobri o Weblogger que ganhou um carinho especial por me ter apresentado o HTLM. Ana Sofia, este é o HTML. HTML esta é a Ana Sofia. Agora, desenrasquem-se um com o outro. A curiosidade fervilhante da juventude faz-nos querer saber mais sobre tudo. Quando abri o editor e dei de caras com um código gigante, não percebi logo para que servia. Depois, como queria ter um template bonito como os outros blogs, fui pesquisar. Primeiro usei templates disponibilizados por outros bloggers. Depois quis aprender a fazer o meu próprio. Sem saber ainda o que era o Frontpage, comecei a olhar para os códigos e a tentar perceber o que ali estava. Quando fez sentido, senti-me uma miúda feliz. Naquela altura devia ter muito tempo e nem sabia... Hoje não tenho tempo e paciência suficiente para me aventurar em muitas coisas, pelo menos para já. Talvez um dia vá buscar a Ana Sofia de há uns anos...

Naquele tempo, andava ainda a descobrir a Internet e sentia-me num parque de diversões. A Internet era da Sapo, numa altura em que o tráfego internacional tinha limites. Não sei se foi por isso que vim a descobrir o Sapo Blogs, mas, caso tenha sido, foi uma estratégia inteligente. É que eu gostava de navegar muito na Internet e não me apercebi logo dos limites até chegarem as facturas... 

Durante uns anos andei de um lado para o outro entre o Sapo e a concorrência... Tive uns blogs que se aguentaram melhor que outros. Cheguei a partilhar alguns textos e poemas que escrevia, mas deixei-me disso. Por um lado, os textos e poemas tinham sido escritos numa fase menos boa da minha vida que quis deixar para trás. Por outro, cheguei a ver um poema meu copiado e fiquei possessa. Depois havia ainda a pressão de estarmos a ser lidos e tentarem analisar a fundo tudo o que escrevemos... De qualquer modo, naquela altura e durante muito tempo tive uma relação atribulada com a escrita. Às vezes fazíamos as pazes. Outras vezes eu sentia que não era suficientemente boa naquilo que estava a fazer e revoltava-me. Apaguei muitas coisas que escrevi e cheguei a dizer a mim mesma que nunca mais voltaria a escrever poesia ou prosa. Se houver vestígios de algo daqueles tempos, deverá ser apenas na minha cabeça.

Entretanto, cresci. Com a idade aprendi mais sobre mim mesma. Percebi que nunca poderia negar a escrita porque faz parte daquilo que sou. Aprendi a viver com isso e a manter o meu equilíbrio. No início não foi fácil, mas aconteceu o que não esperava que voltasse a acontecer: voltei a escrever, desta vez já sem apagar o que escrevia.

Com uma relação tão atribulada com a escrita, é natural que a relação com os blogs também tenha sido atribulada. Passados estes anos, vejo-me agora a regressar e com vontade de ficar. Percebi agora que isto só foi possível porque me reconciliei com a escrita.

 

Qual a origem do nome do blog?

O poema "Auguries of Innocence" de William Blake.  Leiam-no, porque vão gostar (espero eu).

Deixo-vos os primeiros versos:

To see a World in a Grain of Sand
And a Heaven in a Wild Flower 
Hold Infinity in the palm of your hand 
And Eternity in an hour
 
William Blake, "Auguries of Innocence"